Terezinha Oliva: Das maiores intelectuais de Sergipe

Igor Salmeron, 27 de Dezembro, 2023




Não há nenhuma descabida hipérbole em afirmar que Terezinha Oliva senão for a maior, é uma das maiores intelectuais vivas de Sergipe. A garotinha destemida e estudiosa desde a tenra idade, nasceu em Riachão do Dantas num dia 06 de junho, sendo a mais velha entre os irmãos. Da criação entre o meio agrário e rígida formação católica, fez germinar uma mulher forte, criativa e determinada.

Sua mudança para Aracaju ocorreu em 1956, onde por já saber ler com admirável fluência, foi transferida do pré-primário para o antigo 1º Ano. Cursou no Colégio Patrocínio São José os ensinos Primários e o Ginásio ingressando na recém-criada UFS no ano de 1968.




Lá se graduou em História em 1971. Finalizou o Mestrado em História pela UFPE em 1981. Doutorou-se em Geociências e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho no ano 1998.

Vale dizer que Terezinha Oliva foi dedicada aluna da também lendária Professora Beatriz Góis Dantas durante a graduação, em que atuou ao lado da Mestra, sob a importante função de estagiária no fim do curso, no Projeto de Reorganização do Arquivo Público do Estado de Sergipe, órgão que veio a dirigir depois de formada.

Fruto do seu esmerado trabalho e competência, foi diretora entre os anos de 2004 a 2009 do Museu do Homem Sergipano, vinculado à UFS, depois ocupou a chefia do Dep. de História e do Programa de Documentação e Pesquisa Histórica (PDPH), além de fazer legado como a 1ª mulher a ter sido Oradora Oficial do IHGSE.

Seguiu fielmente os passos das suas maiores referências, Maria Thétis Nunes e Beatriz Góis Dantas. A retratada se torna basilar para compreendermos a efetiva ampliação do conhecimento histórico sergipano, seja por meio dos livros e artigos, resultados das suas minuciosas pesquisas, a exemplo do seu clássico livro `Impasses do Federalismo no Brasil: Sergipe e a Revolta de Fausto Cardoso’, uma espécie de Magnum Opus que nos faz entender de maneira cristalina os primeiros anos da República em Sergipe.

O seu irretorquível comprometimento, rigor e seriedade até os dias hodiernos continuam sendo atributos que fazem de Terezinha Oliva espelho para as presentes e futuras gerações. Tanto nos órgãos públicos quanto nos departamentos em que esteve a frente, conseguiu imprimir a sua marca registrada de efervescente agente cultural, derivada da sua sapiência e capacidade de aglutinação.




Vale registrar a inesquecível homenagem que a ALESE lhe prestou ao conceder a Medalha do Mérito Educacional Manoel José Bomfim pelos inegáveis serviços prestados junto a toda comunidade, dentre tantos, a preservação da documentação histórica e ideias inovadoras para fortalecer a memória da nossa gente.




Entre os anos de 2009 e 2014, dirigiu a Superintendência do IPHAN, sendo que em sua gestão, foi concluída a elevação da Praça de São Cristóvão a Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Donde estiver, seu saudoso pai, o brilhante jornalista João Oliva Alves sente inefável orgulho, pois se existe uma mulher que enriquece nosso formidável cenário histórico-cultural, essa sem dúvida alguma, é Terezinha Oliva, merecedora das mais altivas homenagens e reconhecimento.

Eis um ícone do espírito de sergipanidade, da cultura, da UFS, do conhecimento em Sergipe. Símbolo de inteligência, beleza, elegância, generosidade e simplicidade sem limites.

Enfim, um modelo a ser seguido por todos nós!

Saibamos reconhecer.

* Artigo escrito por Igor Salmeron. Doutor em Sociologia pela UFS. Escritor, articulista e biógrafo. Servidor do TCE/SE. Membro da ALCS e do MAC da Academia Sergipana de Letras. E-mail: igor.salmeron@tce.se.gov.br

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