Os Estados Unidos celebram, neste 4 de julho, os 250 anos de sua independência em um contexto de intensa polarização política. A capital do país, Washington, se torna o cenário de demonstrações de força militar, com sobrevoos de caças da Força Aérea Americana, que geram reações diversas entre a população.
A correspondente Mariana Janjácomo, que cobre as festividades diretamente de Washington, descreve a atmosfera na cidade como marcada pelo barulho ensurdecedor das aeronaves militares.
“O exército está fazendo uma série de voos aqui em Washington para mostrar os caças em comemoração aos 250 anos da independência dos Estados Unidos. É um barulho muito alto e é até difícil de ver os caças, porque eles são tão rápidos, mas a gente ouve o barulho e dá a impressão de que o prédio está tremendo”, relatou.
As comemorações deste ano estão a cargo de uma associação chamada Freedom to 250, que está ligada às celebrações promovidas por Donald Trump. No mesmo período, democratas da Câmara dos Deputados divulgaram um relatório que acusa Trump de se beneficiar financeiramente por meio dessa organização, que coordena não apenas os eventos do feriado, mas também os que o antecedem, como uma luta de UFC realizada na Casa Branca e a reforma do espelho d’água do National Mall.
A reforma do espelho gerou polêmica por problemas como formação de algas e descascamento da pintura, que foi tingida na cor azul da bandeira americana.
“Trump disse que foi uma ação de vândalos. Fato é que o espelho d’água não é o espelho d’água que a gente costumava ver, o tradicional, o histórico”, afirmou Mariana.
A polarização também se manifesta no comportamento dos cidadãos. Algumas pessoas expressam desejo de comemorar o 4 de Julho sem que isso seja interpretado como apoio a Trump, enquanto outras aparecem nos eventos usando bonés do movimento “Make America Great Again” (MAGA).
“É uma polarização do país que fica ainda mais evidente nessa data tão importante”, disse Mariana.
O analista Lourival Sant’Anna avaliou que a divisão atual entre os americanos é mais profunda do que as divergências históricas entre os dois principais partidos. Ele destaca que, apesar das diferenças, o sentimento de um destino comum sempre foi um elemento unificador. No entanto, essa coesão foi sendo corroída nas últimas três décadas, à medida que o debate político se deslocou para questões culturais e morais.
Segundo Sant’Anna, os pilares da coesão social e política dos Estados Unidos perderam força, embora ainda existam. Ele também menciona um aumento do poder presidencial, o que contraria o espírito da independência e da Constituição americana, que visam evitar a concentração de poder. O analista Américo Martins ressalta que, apesar de ser um país admirável, as imperfeições dos Estados Unidos se tornam cada vez mais visíveis, com preocupações sobre a separação dos poderes e o risco de uma oligarquia dominada por bilionários.
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