A ilha aprova mudanças que misturam abertura capitalista e controle político centralizado. Raúl Castro, sem cargo oficial, influenciou diretamente as decisões.
No dia 17 de junho de 2026, o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, aprovou um pacote de reformas econômicas com caráter híbrido. Essas mudanças combinam uma abertura econômica capitalista sem precedentes com o fortalecimento do controle político e social centralizado, em resposta à grave crise que o país enfrenta. A informação foi divulgada por meio de uma publicação na conta oficial do X da Presidência.
Embora não ocupe um cargo público, Raúl Castro continua a ser uma figura influente na política cubana. O secretário do Conselho de Ministros, José Amado Ricardo Guerra, confirmou que Castro participou da reunião por videoconferência, destacando que, “mesmo com as discrepâncias, sempre vendendo as melhores ideias”. Uma foto compartilhada mostrou Guerra segurando o relatório da reunião, que foi assinado por Castro.
O plano econômico, apresentado inicialmente no dia 12 de junho pelo atual presidente Miguel Díaz-Canel, contém dez objetivos gerais que visam revitalizar a economia cubana, incluindo:
- Promover um ambiente macroeconômico que favoreça a atividade produtiva e o aumento da renda externa;
- Aumentar e diversificar a renda externa do país;
- Aumentar a produção nacional, com foco em alimentos;
- Transformar, modernizar e desenvolver o sistema empresarial cubano, fortalecendo o papel da empresa estatal socialista;
- Avançar na melhoria da gestão estratégica para o desenvolvimento territorial;
- Melhorar a gestão do Governo, da Defesa e da Segurança Nacional;
- Consolidar e desenvolver políticas sociais para proteger indivíduos e comunidades em situação de vulnerabilidade;
- Implementar diretrizes para prevenir e reduzir a criminalidade e a corrupção;
- Recuperar o Sistema Nacional de Energia Elétrica, promovendo a soberania energética;
- Gerir ciência, inovação e transformação digital para promover o desenvolvimento sustentável.
Cuba enfrenta a pior crise econômica, energética e social em décadas, com um colapso quase total do sistema elétrico. A escassez severa de combustível e o sucateamento das usinas termelétricas resultaram em apagões crônicos, afetando serviços essenciais como água e saúde. A situação é agravada por sanções econômicas dos Estados Unidos, que têm sido endurecidas pelo governo do presidente Donald Trump. Diante do risco de um colapso total, o regime de Díaz-Canel e Castro decidiu implementar reformas de emergência para acelerar a abertura ao setor privado, flexibilizando o controle estatal.

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