A deputada estadual Gracinha Garcez manifestou-se contrária ao projeto que autoriza a concessão do Hospital do Câncer de Sergipe via Parceria Público-Privada (PPP), aprovado pela Assembleia Legislativa de Sergipe. Em discurso durante a votação, a parlamentar afirmou representar pacientes oncológicos, servidores da saúde e futuros concursados ao registrar seu voto contrário.
O projeto aprovado prevê a gestão da unidade hospitalar pela iniciativa privada por meio de concessão administrativa de longo prazo. Pela proposta, a empresa concessionária ficaria responsável pela operação, manutenção, equipamentos, insumos e recursos humanos, cabendo ao Estado a regulação do acesso aos serviços.
Ao justificar seu posicionamento, Gracinha expressou preocupações sobre os efeitos sociais e administrativos do modelo adotado pelo Governo do Estado. Entre as ressalvas apontadas pela deputada estão o longo período da concessão, a transferência da administração do hospital para empresas privadas e a insegurança gerada para servidores concursados.
A parlamentar também comparou a situação à concessão da Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO), observando que muitos moradores ainda registram reclamações após a privatização dos serviços de água e saneamento. Para Gracinha, experiências anteriores que deixaram dúvidas e insatisfação popular não devem ser replicadas na área da saúde.
Em suas declarações, Gracinha afirmou: “O povo sergipano ainda acompanha as consequências da concessão da DESO, com muitas reclamações e inseguranças sobre um serviço essencial. Agora querem fazer algo parecido com a saúde, justamente em um hospital que vai atender pacientes em tratamento contra o câncer. Não podemos tratar vidas como contratos administrativos. Meu compromisso é com os pacientes, com os concursados e com as famílias mais humildes.”
Críticos da iniciativa também alertaram para possíveis impactos negativos, apontando risco de dependência crescente da iniciativa privada em um setor sensível. Entre os pontos levantados por Gracinha e por outros parlamentares contrários ao projeto estão:

- possibilidade de precarização das relações de trabalho;
- insegurança para concursados e servidores públicos;
- concessão considerada extensa;
- risco de enfraquecimento do controle público;
- dúvidas sobre fiscalização e transparência;
- receio de que metas financeiras prevaleçam sobre o atendimento humanizado.
Gracinha deixou claro que não se opõe à construção nem ao funcionamento do Hospital do Câncer, apontado como um anseio antigo da população sergipana, mas defende que a gestão permaneça sob comando direto do Estado e que decisões sobre serviços essenciais sejam amplamente debatidas com a sociedade.
O voto contrário da deputada foi interpretado por apoiadores como uma postura firme em defesa dos pacientes oncológicos, dos trabalhadores do serviço público e das famílias mais vulneráveis.
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