Em vídeo divulgado neste domingo (4), opositor reivindica presidência com base nas eleições de 2024. Declaração ocorre após Trump descartar liderança da oposição e reconhecer Delcy Rodríguez.
O vácuo de poder na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos deflagrou uma disputa interna e diplomática. Neste domingo (4), o líder opositor Edmundo González divulgou um vídeo nas redes sociais onde se autodeclara “presidente” e exige que as Forças Armadas do país o conduzam ao poder.
González, apontado por observadores internacionais como o verdadeiro vencedor das eleições presidenciais de 2024, apelou diretamente à hierarquia militar, utilizando a terminologia oficial de chefe de Estado.
O Apelo aos Militares
No vídeo, o político tentou assumir o controle da narrativa diante do caos instaurado pelos bombardeios e pela operação americana em Caracas.
“Como presidente dos venezuelanos, faço um apelo calmo e claro às forças armadas nacionais e às forças de segurança do estado. […] O seu dever é sustentar e cumprir o mandato soberano expresso em 28 de julho de 2024”, afirmou.
Ele foi além, invocando a patente máxima: “Como comandante-em-chefe, lembro-lhes que a sua lealdade é para com a Constituição, o povo e a república”.
O Choque com Washington
A movimentação de González, no entanto, colide frontalmente com a postura adotada pela Casa Branca. Um dia antes, o presidente dos EUA, Donald Trump, jogou um balde de água fria nas pretensões da oposição tradicional.
Trump afirmou não acreditar que a oposição, especificamente a líder María Corina Machado, tenha o “respeito” ou “apoio” necessários para comandar a nação. Em uma reviravolta surpreendente, Trump reconheceu provisoriamente a chavista Delcy Rodríguez como líder interina — sob ameaça de intervenção direta —, chegando a afirmar que os Estados Unidos “governariam” a nação latino-americana neste período de transição.
O cenário desenha um triângulo de poder complexo: os militares venezuelanos (que hoje cedo declararam apoio a Delcy), a oposição reivindicando a legitimidade das urnas, e os EUA exercendo força militar e tutela política.
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