Negociações previstas para esta sexta (19) foram abortadas de última hora. A desistência do vice-presidente americano JD Vance inviabilizou o encontro que buscava avançar em acordo de paz entre os dois países.
O Ministério das Relações Exteriores da Suíça anunciou o cancelamento das negociações que estavam agendadas para esta sexta-feira (19) entre os Estados Unidos e o Irã no resort de Burgenstock, na Suíça. O comunicado foi divulgado após um porta-voz da Casa Branca informar que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, desistiu de sua viagem planejada para se encontrar com negociadores iranianos.
O objetivo dessas conversas era iniciar discussões sobre a implementação do acordo firmado entre Teerã e Washington, que visa encerrar a guerra. Em seu pronunciamento, o porta-voz enfatizou que, embora a delegação dos EUA estivesse pronta para partir, as questões logísticas das negociações nunca foram simples ou previsíveis.
“Os planos para as próximas conversas técnicas não foram finalizados. Aguardamos ansiosamente o início das conversas técnicas o mais breve possível”, afirmou o porta-voz.
Inicialmente, Vance estava programado para viajar à Suíça para a assinatura oficial do memorando de entendimento. Na manhã de quinta-feira, o vice-presidente havia declarado sua intenção de participar da cerimônia, embora reconhecesse que a data ainda era incerta. Ele também havia mencionado que as negociações técnicas deveriam começar neste fim de semana e que “certamente planejava liderar” a equipe de negociação dos EUA.
As negociações, que duraram 60 dias, iniciaram-se oficialmente na quinta-feira. O processo ocorre em meio a críticas de diversos setores nos Estados Unidos em relação aos termos do acordo estabelecido entre os dois países. Vance defendeu o memorando assinado, afirmando que é o momento de verificar se o Irã irá negociar “de boa fé”.
O presidente Donald Trump reiterou essa posição, respondendo a questionamentos sobre a efetividade do acordo, que também enfrenta objeções internas, especialmente no Partido Republicano. Entre as principais críticas, está a avaliação de que o acordo poderia beneficiar mais o Irã do que os Estados Unidos, sem modificar de forma significativa a situação em relação ao programa nuclear iraniano.
Além disso, o acordo prevê a criação de um fundo de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã e a retomada da exportação de petróleo pelo país. Durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, Vance expressou confiança na capacidade dos Estados Unidos de monitorar os recursos obtidos pelo Irã com a venda de petróleo, garantindo que esses fundos não sejam utilizados para financiar grupos considerados terroristas.
O vice-presidente também criticou Israel, mencionando que o acordo propõe o fim da guerra em todas as frentes, exigindo a retirada das tropas israelenses do Líbano. Contudo, Israel já declarou que não cumprirá essa exigência, o que pode complicar as negociações de paz com o Irã. Vance observou que as ações israelenses têm prejudicado o progresso nas negociações.
O cenário atual gera incertezas sobre a viabilidade do acordo, com comparações sendo feitas a tratados anteriores entre Washington e Teerã, levantando questionamentos sobre se os novos termos representam um avanço em relação à situação anterior ao conflito.
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