Após quatro meses de guerra, Washington e Teerã selaram um entendimento para encerrar hostilidades. O acordo prevê ainda reconstrução iraniana e restrições ao programa de mísseis do país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o regime iraniano chegaram a um pré-acordo que visa paralisar as hostilidades, restabelecer o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e conter a possibilidade de expansão armamentista do Irã. O memorando de entendimento também busca criar condições favoráveis ao afluxo de recursos financeiros e à reconstrução do Irã.
Essa negociação ocorreu após quase quatro meses de um conflito que resultou na extinção da liderança principal do Irã, reduzindo significativamente sua capacidade de mísseis balísticos e de expansão de poder. No entanto, apesar dessas mudanças, o regime se manteve firme. Na verdade, ele se transformou em uma coleção de lideranças, englobando tanto os líderes políticos que finalmente assinaram o acordo quanto as lideranças paramilitares ligadas à Guarda Revolucionária, o corpo armado do regime dos aiatolás.
Ao se questionar se o novo entendimento será suficiente para restabelecer a normalidade no Oriente Médio, é necessário considerar a atuação regional. O Irã exigiu que Israel interrompesse os ataques ao Hezbollah no Líbano e aos houthis no Iémen. Em contrapartida, os países árabes do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes, Catar e Kuwait, que já foram alvos de ataques iranianos, encontram-se em uma situação delicada.
Esses países árabes enfrentam a incerteza sobre como proceder, dado que a relação com o Irã é complexa. O Irã é um vizinho permanente e sua presença é inegável, mas a natureza dessa relação, se é de paz ou conflito, ainda carece de definição clara.
O entendimento entre os Estados Unidos e o Irã recebeu respaldo dos países do G7, que se reuniram recentemente na França. Trump praticamente impôs uma declaração de apoio das principais economias capitalistas e ocidentais a esse acordo. Essa movimentação é interpretada como um passo adiante na busca pela normalização das relações no Oriente Médio e no cenário global.
* Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP e pesquisador de Geopolítica do Insper Agro Global.
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