Analista da USP e Harvard detalhou os 14 pontos do memorando. Teerã garantiu desbloqueio de ativos e fim de sanções sem abrir mão de suas principais demandas.
O Irã obteve, em essência, o que buscava com a assinatura do memorando de entendimento com os Estados Unidos, segundo avaliação de Hussein Kalout, professor de Relações Internacionais da USP e pesquisador de Harvard. Em entrevista, Kalout analisou os 14 pontos do acordo e destacou as principais concessões obtidas pelos iranianos.
Entre as demandas atendidas ao Irã, o professor enumerou o acesso a recursos financeiros, garantias de reconstrução, desbloqueio de ativos, a não imposição de novas sanções e a possibilidade de revogação de sanções antigas. Em contrapartida, o país aceitou a reabertura de negociações sobre o Estreito de Ormuz.
“Se a gente olhar os 14 pontos do acordo, o Irã conseguiu basicamente o que queria”, afirmou Kalout.
O especialista ressaltou que, no âmbito do acordo, os iranianos também aceitaram formalmente a não construção de uma bomba atômica, um ponto central para os norte-americanos. Ao mesmo tempo, o Irã garantiu o direito de manter seu programa nuclear para enriquecimento com fins civis. Kalout destacou: “O Irã conseguiu preservar o direito a ter o seu programa nuclear para enriquecimento para fins civis.”
Comparando o novo documento ao acordo firmado durante o governo do presidente Barack Obama, o professor classificou o memorando atual como ainda mais favorável ao Irã. “Na verdade, é um documento piorado, muito em favor do Irã”, declarou. Para os Estados Unidos, a principal conquista foi o compromisso iraniano de não desenvolver armamento nuclear.
Kalout também apontou um ponto vulnerável do acordo: a questão do cessar-fogo no Oriente Médio, que se divide em duas etapas distintas. Enquanto considerou possível alcançar um cessar-fogo no Golfo, Kalout se mostrou cético quanto à cessação das hostilidades entre Israel e o Líbano.
“Esse cessar-fogo entre Israel e o Líbano eu acho muito difícil e improvável de ser alcançado, pelo menos até outubro, até a eleição em Israel”, concluiu.
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