Matteos França Campos, de 32 anos, acusado de matar sua mãe, a professora Soraya Tatiana Bonfim Franca, de 56 anos, em julho de 2021, foi excluído do inventário dela. A informação foi divulgada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais nesta quarta-feira (24). A decisão ocorreu após a família da vítima entrar com um processo solicitando a exclusão de Matteos da sucessão patrimonial da mãe, considerando-o indigno de receber a herança.
O juiz Antônio Leite de Pádua, da 4ª Vara de Sucessões e Ausência da Comarca de Belo Horizonte, aceitou o pedido. Em sua sentença, ele destacou que “a ação de indignidade pode ser intentada por qualquer pessoa que tenha interesse jurídico na exclusão do herdeiro que praticou os atos ilícitos contra o falecido”. O magistrado reconheceu que o autor da ação, neste caso, possuía “nítido interesse jurídico e legitimidade para pleitear a indignidade”.
Matteos é réu em um processo por feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual, que tramita no Tribunal do Júri de Belo Horizonte, em decorrência da morte da mãe. O caso ganhou notoriedade após a Polícia Militar de Minas Gerais encontrar o corpo de Soraya embaixo de um viaduto no dia 20 de julho de 2025. O corpo foi encontrado seminu e coberto com um lençol, apresentando marcas nas coxas e sangramento na região íntima.
Na mesma data do crime, Matteos teria utilizado o carro de sua mãe para ocultar o corpo sob um viaduto em Vespasiano, na Grande BH, e, horas depois, teria viajado com amigos para a Serra do Cipó, em Minas Gerais. No dia seguinte, ele demonstrou preocupação com o paradeiro de Soraya, sugerindo que sua casa havia sido “invadida”. Após o corpo ser encontrado, Matteos compareceu ao IML e reconheceu o corpo da mãe.
Durante as investigações, a polícia decretou a prisão temporária de Matteos, que foi detido no dia 25 de julho. Ele confessou ter matado Soraya após uma discussão, alegando ter tido um “surto” devido a dívidas de apostas online e empréstimos consignados. Em uma entrevista, a delegada do caso afirmou que, mesmo após o homicídio, Matteos continuou a apostar em jogos de azar pela internet.
Após a prisão, Matteos foi transferido de presídio devido a ameaças de morte de outros detentos, e seu advogado desistiu da defesa por “questões éticas”.
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