Ao buscar evitar resultados de inteligência artificial, o Google recomendou o DuckDuckGo aos próprios usuários. O deslize virou piada nas redes e o rival não perdeu a chance de provocar.
O Google cometeu um erro ao recomendar o uso do DuckDuckGo em respostas geradas pelo recurso AI Overviews, após interpretar buscas de usuários que buscavam evitar resultados relacionados à inteligência artificial. O episódio ganhou destaque quando o DuckDuckGo divulgou um post em sua conta no X, ironizando a situação e ressaltando a peculiaridade do ocorrido.
Ao realizar buscas utilizando o termo “no ai”, o sistema do Google tentou interpretar a intenção do usuário e, em vez de fornecer resultados diretos, sugeriu alternativas para evitar respostas geradas por inteligência artificial, incluindo o DuckDuckGo. Em algumas ocasiões, o navegador Brave também foi apresentado como uma opção, devido à sua capacidade de permitir ajustes nas configurações para reduzir ou eliminar respostas geradas por IA.
Esse incidente reacendeu o debate sobre a crescente integração de recursos de inteligência artificial nas buscas do Google. Embora o DuckDuckGo também utilize ferramentas de inteligência artificial, como o “Search Assist” e o “Duck.ai”, a principal crítica em relação ao Google envolve a dificuldade em desativar essas funções. No DuckDuckGo, os usuários têm a opção de desligar essas funcionalidades de forma simples.
Por outro lado, no Google, o AI Overviews não pode ser desativado permanentemente nas configurações padrão da conta. Os usuários que preferem acessar resultados tradicionais precisam selecionar manualmente o filtro “Web” a cada nova busca para visualizar apenas links clássicos, sem respostas geradas por IA.
O interesse pelo DuckDuckGo tem crescido, especialmente após a intensificação dos recursos de inteligência artificial no Google. De acordo com dados da própria plataforma, as instalações do aplicativo aumentaram, em média, 18,1% na semana seguinte aos anúncios do Google, com um pico de 33% em 25 de maio. Esse crescimento foi ainda mais acentuado em dispositivos iPhone, onde o aumento chegou a 69,9% no mesmo período.
Além disso, o tráfego para a página “no-ai” do DuckDuckGo, que oferece uma busca sem recursos de inteligência artificial, subiu 22,7% na média semanal, com um pico de 27,7% em 24 de maio. Esse movimento é atribuído ao descontentamento de uma parte dos usuários com a integração de respostas geradas por IA nas buscas do Google, especialmente após as mudanças apresentadas durante o Google I/O 2026.
No último ano, a empresa também intensificou o uso de ferramentas de inteligência artificial em várias partes de sua busca, chegando a testar a substituição da caixa de dicionário pelo AI Overviews. Isso resultou em que até pesquisas simples gerassem longos parágrafos de texto conversacional, irritando usuários que preferem respostas rápidas.
O DuckDuckGo ainda afirma que não rastreia o histórico de buscas dos usuários para treinar inteligência artificial ou exibir anúncios personalizados, o que pode explicar a migração de parte do público para sua plataforma, em busca de mais privacidade e menos personalização baseada em dados de navegação.

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