Em agenda em Goiás, presidente brasileiro relembrou acordo firmado na Casa Branca e cobrou telefonema do líder norte-americano: “Você me deve uma reunião”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira, 2, após o governo norte-americano propor a aplicação de uma nova tarifa punitiva de 25% sobre as importações de produtos brasileiros.
Durante o cumprimento de uma agenda oficial no município de Catalão, em Goiás, Lula manifestou surpresa com a medida e afirmou que aguarda uma explicação formal por parte de Trump. O presidente brasileiro relembrou que ambos haviam se reunido presencialmente no mês de maio, na Casa Branca, oportunidade em que combinaram um prazo estipulado para que os ministros e as equipes técnicas de ambos os países avançassem nas complexas negociações comerciais.
“Trump, é o seguinte, cara: você disse que pintou uma química entre eu e você. Quem anunciou isso não foi você e nem eu. Você me deve uma reunião e eu devo uma pra você”, disparou o presidente brasileiro ao comentar publicamente a proposta de sobretaxa.
Acordo de 30 dias e expectativa de telefonema
De acordo com o relato do chefe do Executivo brasileiro, Brasil e Estados Unidos haviam estabelecido um prazo de 30 dias para que suas respectivas equipes de governo discutissem detalhadamente os pontos de divergência comercial. Por conta desse alinhamento prévio, Lula afirmou de forma categórica que está esperando um telefonema do presidente Donald Trump para compreender o que motivou a mudança de postura no período em que as negociações ficaram sob a responsabilidade direta dos ministros.
A declaração de Lula joga luz sobre a nova crise diplomática e a escalada de tensão comercial entre as duas maiores economias do continente.
Entenda o cenário da taxação
O estopim para o pronunciamento do presidente brasileiro foi a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão ministerial norte-americano recomendou formalmente a aplicação da alíquota de 25% sobre as mercadorias do Brasil, sob a alegação de que atos, políticas e práticas regulatórias adotadas pelo governo de Brasília são “irrazoáveis” e configuram barreiras comerciais desleais que oneram o mercado dos EUA.
A lista de queixas de Washington inclui duras críticas à atuação do Judiciário brasileiro no bloqueio de redes sociais, suposto favorecimento regulatório ao sistema de pagamentos Pix, desmatamento ilegal, morosidade na concessão de patentes pelo INPI e falta de reciprocidade no mercado de etanol. Um cronograma de consultas e audiências públicas foi aberto nos Estados Unidos, e a decisão final sobre a entrada em vigor das sanções aduaneiras deve ser chancelada por Trump até o dia 15 de julho.
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