Pivô de crises políticas que marcaram o primeiro mandato republicano, Comey faleceu em decorrência de complicações de saúde; atual presidente dos EUA afirmou estar “contente” com a notícia.
O cenário político de Washington foi sacudido nesta sexta-feira com a confirmação da morte de James Comey, o ex-diretor do FBI cuja gestão foi definida por decisões que alteraram o curso da história americana. Comey, que liderou a agência entre 2013 e 2017, tornou-se uma figura central ao liderar as investigações sobre o uso de um servidor privado de e-mails por Hillary Clinton e, mais crucialmente, sobre a interferência russa nas eleições de 2016 — o que o colocou em rota de colisão direta com Donald Trump.
A notícia do falecimento foi recebida com uma declaração sem precedentes pelo presidente Donald Trump. Através de suas redes sociais e em breve contato com a imprensa, Trump não escondeu sua animosidade histórica: “James Comey foi um desastre para este país. Um vazador e um mentiroso. Não vou fingir tristeza, estou contente que ele não esteja mais por perto para causar danos”, afirmou o mandatário, rompendo com a tradição presidencial de emitir notas de pesar para ex-altos funcionários do governo.
Comey foi demitido por Trump em maio de 2017, um ato que levou à nomeação do conselheiro especial Robert Mueller para investigar a possível obstrução de justiça. Após deixar o cargo, o ex-diretor tornou-se um crítico ferrenho do governo, publicando o livro “A Higher Loyalty”, onde detalhava suas preocupações com a integridade ética do presidente. Sua morte encerra um capítulo de profunda polarização no Departamento de Justiça, deixando um legado de debates sobre a independência das agências de inteligência frente ao poder político.
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