Após a confirmação de um novo tarifaço contra produtos brasileiros, os Estados Unidos sinalizaram que estão abertos a negociar o impasse. No entanto, especialistas alertam que o momento é delicado para o Brasil.
“No ponto que a gente se encontra parece mais uma barganha posicional, quando o outro lado tem se aferrado a posições ideológicas e políticas, e é difícil negociar determinadas questões,”
afirmou Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper.
O governo dos Estados Unidos oficializou, no dia 15 de julho, a aplicação de uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A decisão foi tomada pelo presidente Donald Trump, que acatou uma recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA).
Os EUA destacam que suas demandas são claras e a negociação deve considerar a posição brasileira. Segundo Consentino,
“O Brasil tem que ser pragmático para avançar em temas sensíveis e evitar que as demandas solapem nossa soberania.”
O novo tarifaço é resultado de uma investigação do USTR que se desenvolveu após a primeira tarifa de 50% contra o Brasil, anunciada em julho de 2025. Em junho deste ano, o Representante Comercial dos EUA propôs a imposição de novas tarifas sobre todas as importações do Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
O USTR identificou que as políticas do governo brasileiro em áreas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal criam insegurança jurídica e competição desleal para os EUA.
Para Robson Gonçalves, economista da FGV (Fundação Getulio Vargas),
“os EUA querem assumir uma posição de força para negociar dois temas que são as joias da coroa: terras raras e Pix.”
As negociações sobre esses temas ocorreram em uma reunião entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio, mas houve um desvio que foi percebido como falta de vontade dos EUA em buscar uma parceria de interesse mútuo.
“O que o Brasil não pode entregar de forma alguma?”
questiona Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional. Ele ressalta que a tarifa visa iniciar um tipo de negociação e não para concluí-la, enfatizando a necessidade de um diálogo aberto.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também mencionou a possibilidade de retomar o processo da Lei de Reciprocidade caso o novo tarifaço se confirme.
“A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, e agora, acho que é provável que a gente retome,”
afirmou.
Os especialistas concordam que retaliações não são o caminho ideal, sugerindo que o Brasil busque formas de aproveitar a situação em sua favor.
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