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Aracaju, Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Obesidade: por que perder peso não significa encerrar o tratamento 

Saúde

Obesidade: por que perder peso não significa encerrar o tratamento 

Doença crônica envolve fatores que vão além da alimentação e exige acompanhamento contínuo para reduzir o risco de reganho de peso e complicações A obesidade deixou de ser compreendida apenas como uma questão relacionada ao peso e passou a ser reconhecida como uma doença que exige atenção contínua. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), […]

24/08/2026 · 15h54
Obesidade: por que perder peso não significa encerrar o tratamento 

Doença crônica envolve fatores que vão além da alimentação e exige acompanhamento contínuo para reduzir o risco de reganho de peso e complicações

A obesidade deixou de ser compreendida apenas como uma questão relacionada ao peso e passou a ser reconhecida como uma doença que exige atenção contínua. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo. Em 2022, eram cerca de 890 milhões de adultos nessa condição, correspondendo a 16% da população adulta global. No Brasil, o avanço também é expressivo: dados do Ministério da Saúde mostram que 25,7% dos adultos das capitais brasileiras apresentavam obesidade em 2024. Os números ajudam a dimensionar um problema de saúde que, apesar de sua complexidade, ainda é frequentemente reduzido à ideia de escolhas individuais. 

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Para Sylvia Gurgel, médica cirurgiã e professora da Universidade Tiradentes (Unit), uma das primeiras etapas para compreender a doença é abandonar a associação entre obesidade e falta de determinação. “A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, influenciada por genética, hormônios, metabolismo, ambiente e comportamento. Não depende simplesmente da capacidade da pessoa de ‘comer menos’”, explica. A avaliação, portanto, precisa considerar um conjunto de elementos que interferem tanto no ganho quanto na perda de peso. 

Entre esses mecanismos está a própria resposta do organismo ao emagrecimento. A OMS considera a obesidade uma doença crônica resultante da interação de diferentes fatores, o que ajuda a explicar por que apenas diminuir a ingestão alimentar ou aumentar os exercícios nem sempre produz resultados duradouros. “O organismo possui mecanismos de regulação do peso. Durante o emagrecimento, pode ocorrer aumento da fome, redução da saciedade e diminuição do gasto energético, favorecendo a recuperação do peso perdido”, afirma a especialista. 

O corpo reage

A dificuldade não termina quando os quilos são eliminados. Depois do emagrecimento, o organismo continua sujeito a mudanças hormonais e metabólicas, enquanto fatores emocionais, ambientais e comportamentais permanecem fazendo parte da vida do paciente. É nesse cenário que pode ocorrer uma resposta de adaptação do corpo à perda de peso. “Após a perda de peso, alterações hormonais e metabólicas podem aumentar a fome. Essa adaptação pode persistir e dificultar a manutenção do novo peso. Emagrecer não significa que a obesidade foi definitivamente curada. Assim como acontece com outras doenças crônicas, o controle precisa ser mantido para reduzir o risco de recaída e reganho de peso”, ressalta a médica. 

Por esse motivo, não existe uma estratégia única que possa ser aplicada da mesma maneira a todos os pacientes. A alimentação equilibrada e a prática de atividade física são componentes importantes, mas o tratamento pode exigir outras intervenções conforme as características e a evolução de cada pessoa. “Medicamentos podem ser associados quando há indicação clínica e resposta insuficiente às medidas isoladas. A cirurgia bariátrica é considerada em pacientes que preencham critérios específicos de obesidade e risco à saúde”, explica Sylvia. 

Quando há indicação para medicamentos, o objetivo também não deve ser interpretado exclusivamente como uma forma de acelerar a perda de peso. A necessidade de manter esse recurso terapêutico pode mudar ao longo do acompanhamento e precisa ser avaliada individualmente. “Não necessariamente em todos os casos, mas frequentemente o tratamento é de longo prazo. A decisão de manter, ajustar ou suspender a medicação deve ser individualizada, considerando resposta, efeitos adversos, comorbidades e risco de reganho”, orienta. 

Riscos à saúde e acompanhamento

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Os efeitos da obesidade ultrapassam as mudanças observadas na balança. A doença pode aumentar a probabilidade de desenvolvimento de condições como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, doença hepática gordurosa, problemas articulares e determinados tipos de câncer. A OMS também aponta a relação entre a obesidade e diversas doenças crônicas não transmissíveis, reforçando a necessidade de uma abordagem voltada à saúde integral. 

O impacto também pode aparecer na qualidade de vida e na realização de atividades cotidianas. “São mais de 200 doenças documentalmente relacionadas à obesidade. Entre os impactos, também está o comprometimento da qualidade de vida, que pode envolver limitações físicas, alterações metabólicas e consequências que se estendem para diferentes aspectos da rotina. Por isso, identificar a obesidade e buscar acompanhamento adequado é importante não apenas para alcançar determinado número na balança, mas para reduzir riscos e melhorar as condições gerais de saúde”, alerta Sylvia. 

A continuidade do cuidado é especialmente importante porque o reganho de peso pode acontecer mesmo após resultados considerados positivos. Dessa forma, o acompanhamento precisa acompanhar a evolução do paciente e não ser interrompido simplesmente porque houve emagrecimento. “O acompanhamento deve incluir acompanhamento periódico do peso, composição corporal, alimentação, atividade física, saúde metabólica e comportamento alimentar, com ajustes do tratamento sempre que necessário”, orienta a professora. 

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Sem julgamentos

Encarar a obesidade como resultado exclusivo de excesso alimentar também contribui para simplificar uma doença que envolve múltiplos mecanismos. A alimentação tem papel relevante e faz parte das estratégias de cuidado, mas fatores genéticos, hormonais, metabólicos, ambientais e comportamentais também participam desse processo. “Se fosse apenas uma questão de comer menos, tratar obesidade seria simples. Obesidade não é falha de caráter nem falta de força de vontade: é uma doença crônica que precisa de tratamento. A alimentação é parte do tratamento, mas está longe de ser o único fator”, conclui Sylvia. 

Por: Laís Marques 

Fonte: Asscom Unit 

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Doença crônica envolve fatores que vão além da alimentação e exige acompanhamento contínuo para reduzir o risco de reganho de peso e complicações

A obesidade deixou de ser compreendida apenas como uma questão relacionada ao peso e passou a ser reconhecida como uma doença que exige atenção contínua. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo. Em 2022, eram cerca de 890 milhões de adultos nessa condição, correspondendo a 16% da população adulta global. No Brasil, o avanço também é expressivo: dados do Ministério da Saúde mostram que 25,7% dos adultos das capitais brasileiras apresentavam obesidade em 2024. Os números ajudam a dimensionar um problema de saúde que, apesar de sua complexidade, ainda é frequentemente reduzido à ideia de escolhas individuais. 

Para Sylvia Gurgel, médica cirurgiã e professora da Universidade Tiradentes (Unit), uma das primeiras etapas para compreender a doença é abandonar a associação entre obesidade e falta de determinação. “A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, influenciada por genética, hormônios, metabolismo, ambiente e comportamento. Não depende simplesmente da capacidade da pessoa de ‘comer menos’”, explica. A avaliação, portanto, precisa considerar um conjunto de elementos que interferem tanto no ganho quanto na perda de peso. 

Entre esses mecanismos está a própria resposta do organismo ao emagrecimento. A OMS considera a obesidade uma doença crônica resultante da interação de diferentes fatores, o que ajuda a explicar por que apenas diminuir a ingestão alimentar ou aumentar os exercícios nem sempre produz resultados duradouros. “O organismo possui mecanismos de regulação do peso. Durante o emagrecimento, pode ocorrer aumento da fome, redução da saciedade e diminuição do gasto energético, favorecendo a recuperação do peso perdido”, afirma a especialista. 

O corpo reage

A dificuldade não termina quando os quilos são eliminados. Depois do emagrecimento, o organismo continua sujeito a mudanças hormonais e metabólicas, enquanto fatores emocionais, ambientais e comportamentais permanecem fazendo parte da vida do paciente. É nesse cenário que pode ocorrer uma resposta de adaptação do corpo à perda de peso. “Após a perda de peso, alterações hormonais e metabólicas podem aumentar a fome. Essa adaptação pode persistir e dificultar a manutenção do novo peso. Emagrecer não significa que a obesidade foi definitivamente curada. Assim como acontece com outras doenças crônicas, o controle precisa ser mantido para reduzir o risco de recaída e reganho de peso”, ressalta a médica. 

Por esse motivo, não existe uma estratégia única que possa ser aplicada da mesma maneira a todos os pacientes. A alimentação equilibrada e a prática de atividade física são componentes importantes, mas o tratamento pode exigir outras intervenções conforme as características e a evolução de cada pessoa. “Medicamentos podem ser associados quando há indicação clínica e resposta insuficiente às medidas isoladas. A cirurgia bariátrica é considerada em pacientes que preencham critérios específicos de obesidade e risco à saúde”, explica Sylvia. 

Quando há indicação para medicamentos, o objetivo também não deve ser interpretado exclusivamente como uma forma de acelerar a perda de peso. A necessidade de manter esse recurso terapêutico pode mudar ao longo do acompanhamento e precisa ser avaliada individualmente. “Não necessariamente em todos os casos, mas frequentemente o tratamento é de longo prazo. A decisão de manter, ajustar ou suspender a medicação deve ser individualizada, considerando resposta, efeitos adversos, comorbidades e risco de reganho”, orienta. 

Riscos à saúde e acompanhamento

Os efeitos da obesidade ultrapassam as mudanças observadas na balança. A doença pode aumentar a probabilidade de desenvolvimento de condições como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, doença hepática gordurosa, problemas articulares e determinados tipos de câncer. A OMS também aponta a relação entre a obesidade e diversas doenças crônicas não transmissíveis, reforçando a necessidade de uma abordagem voltada à saúde integral. 

O impacto também pode aparecer na qualidade de vida e na realização de atividades cotidianas. “São mais de 200 doenças documentalmente relacionadas à obesidade. Entre os impactos, também está o comprometimento da qualidade de vida, que pode envolver limitações físicas, alterações metabólicas e consequências que se estendem para diferentes aspectos da rotina. Por isso, identificar a obesidade e buscar acompanhamento adequado é importante não apenas para alcançar determinado número na balança, mas para reduzir riscos e melhorar as condições gerais de saúde”, alerta Sylvia. 

A continuidade do cuidado é especialmente importante porque o reganho de peso pode acontecer mesmo após resultados considerados positivos. Dessa forma, o acompanhamento precisa acompanhar a evolução do paciente e não ser interrompido simplesmente porque houve emagrecimento. “O acompanhamento deve incluir acompanhamento periódico do peso, composição corporal, alimentação, atividade física, saúde metabólica e comportamento alimentar, com ajustes do tratamento sempre que necessário”, orienta a professora. 

Sem julgamentos

Encarar a obesidade como resultado exclusivo de excesso alimentar também contribui para simplificar uma doença que envolve múltiplos mecanismos. A alimentação tem papel relevante e faz parte das estratégias de cuidado, mas fatores genéticos, hormonais, metabólicos, ambientais e comportamentais também participam desse processo. “Se fosse apenas uma questão de comer menos, tratar obesidade seria simples. Obesidade não é falha de caráter nem falta de força de vontade: é uma doença crônica que precisa de tratamento. A alimentação é parte do tratamento, mas está longe de ser o único fator”, conclui Sylvia. 

Por: Laís Marques 

Fonte: Asscom Unit 

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