A Justiça de Roraima determinou o bloqueio de R$ 429 milhões ligados à facção venezuelana Tren de Aragua. A medida, resultado da Operação Rota do Norte, é um dos maiores golpes ao crime organizado no estado.
A facção criminosa venezuelana Tren de Aragua, uma das maiores organizações criminosas da América Latina, teve quase R$ 500 milhões bloqueados pela Justiça de Roraima. A informação foi divulgada pela Polícia Civil do estado nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026.
Esse bloqueio é considerado um dos maiores já realizados no combate ao crime organizado no estado, com a Justiça determinando o bloqueio de R$ 429 milhões de contas bancárias e ativos financeiros ligados a supostos integrantes da facção.
A medida foi resultado da Operação Rota do Norte, deflagrada pela Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco), que visa atingir diretamente o núcleo responsável pela movimentação, ocultação e lavagem de dinheiro provenientes de atividades criminosas. Ao todo, foram identificadas cerca de 34 pessoas físicas e jurídicas suspeitas de integrar o esquema financeiro da facção, que é investigada por tráfico de drogas, tráfico de armas e outros crimes.
Segundo a Polícia Civil, a Tren de Aragua utilizava empresas, contas bancárias, veículos de alto valor comercial e outros mecanismos para ocultar a origem ilícita dos recursos que movimentavam. A organização atuava principalmente em crimes de lavagem de dinheiro e no tráfico internacional de armamentos, utilizando Roraima como um corredor estratégico para a movimentação de armas provenientes da Venezuela, Colômbia e Estados Unidos, com destino às comunidades do Rio de Janeiro e do Amazonas.
A investigação, que já ocorre desde 2024, é consequência de outra operação realizada pela polícia no ano anterior. Até o momento, 13 alvos foram presos.
No Brasil, a investigação revelou que a facção possui um esquema de tráfico de armas para o Comando Vermelho (CV). A polícia aponta que a Tren de Aragua mantém uma atuação estratégica no fornecimento de armamentos de grosso calibre para várias organizações criminosas no país. Os integrantes do núcleo da facção atuam no abastecimento de armas diretamente ao CV, com reconhecimento em estados como Rio de Janeiro e Amazonas.
A Operação Rota do Norte, conduzida pela Draco, busca desarticular tanto os braços operacionais quanto financeiros da facção. A operação foi realizada simultaneamente em diversos estados, incluindo Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, onde foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário contra integrantes da organização criminosa.
As investigações identificaram uma complexa estrutura criminosa envolvida em atividades relacionadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armamentos. A operação contou com o apoio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), destacando a integração das forças de segurança no combate ao crime organizado de caráter interestadual e transnacional.
A polícia busca enfraquecer a capacidade financeira, logística e operacional da Tren de Aragua, visando interromper os fluxos criminosos que envolvem o tráfico de drogas, a circulação ilegal de armas e a lavagem de dinheiro, além de impedir o fortalecimento e a expansão da facção em Roraima e em outros estados brasileiros.
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