A disputa pelo Governo de Sergipe em 2026 começa a ganhar forma em Aracaju, mas a falta de unidade da oposição mantém o governador Fábio Mitidieri (PSD) em posição confortável. Bem avaliado, o chefe do Executivo estadual explora rivalidades internas entre adversários e aposta na estabilidade de sua gestão para ampliar a vantagem eleitoral.
Cenário eleitoral fragmentado
A oposição ainda não definiu um nome competitivo. Lideranças como Emília Corrêa, prefeita de Aracaju, e Valmir de Francisquinho, prefeito de Itabaiana, divergem sobre estratégias e composições. Sem consenso, o grupo corre o risco de repetir derrotas anteriores e oferecer poucas alternativas ao eleitorado.
Segurança pública como trunfo
Mitidieri destacou, na segunda-feira (10), que Sergipe é, pelo terceiro ano consecutivo, o estado mais seguro do Nordeste. Dados do Ministério da Justiça indicam redução de 77,1 % nas mortes violentas desde 2016, liderança mantida entre 2024 e 2025. O governador atribui o resultado a investimentos na área e afirma ter “compromisso com a vida do povo sergipano”.
Republicanos tenta reconciliação interna
No domingo (9), o Republicanos reuniu-se no bairro Ignácio Barbosa, em Aracaju, para aproximar Emília Corrêa e Valmir de Francisquinho. Apesar das ausências de representantes de outros partidos, o encontro foi considerado um passo para reduzir a crise provocada por posições políticas distintas.
Uma nova reunião está prevista para o fim desta semana a fim de discutir a chapa ao Senado. Emília Corrêa defendeu Eduardo Amorim e Rodrigo Valadares para as vagas, mas a proposta foi rechaçada por Francisquinho.
Nomes cogitados para o governo
Ficou acordado que, se houver entendimento até março, Valmir de Francisquinho será o candidato ao Palácio de Despachos. Caso contrário, o deputado federal Thiago de Joaldo já se lançou pré-candidato. O ex-prefeito Adailton Sousa também surgiu como possibilidade e afirmou não aceitar ser vice. A prefeita Emília Corrêa, por sua vez, citou o delegado André David como alternativa.
Repercussão entre aliados
O deputado federal Rodrigo Valadares (PL) elogiou a tentativa de unificação e declarou que a prefeita Emília “é uma mulher de palavra”. Um observador político, contudo, afirmou que a suposta harmonia é “dissimulada”, lembrando que Valmir gravou vídeo negando liderança de Emília antes de posar sorridente ao lado dela.
Movimentação partidária
• O ex-deputado federal André Moura (União) permanecerá na secretaria do Governo do Rio de Janeiro. A saída, inicialmente ventilada para 20 de junho, ocorrerá apenas no prazo exigido pela legislação eleitoral. Moura segue alinhado à chapa com o senador Alessandro Vieira, sob apoio de Mitidieri.
• A deputada Katarina Feitosa deve ingressar no PSB em março e tentará a reeleição mantendo-se aliada ao governo estadual.
• O deputado Luciano Pimentel (PP) intensificou viagens pelo estado e é citado como nome forte no grupo governista.
Economia e Congresso
O ex-ministro Márcio Macedo (PT) destacou que a venda de veículos novos cresceu 2,08 % em 2025, chegando a 2,68 milhões de unidades, maior marca desde 2019, segundo a Fenabrave. Ele atribuiu o resultado a investimentos do Governo Lula na indústria e no consumo.
A dirigente petista Candisse Carvalho informou que as candidaturas do partido devem ser definidas nos próximos meses e aguarda deliberação interna.
No âmbito federal, o presidente Lula bloqueou R$ 11 bilhões em emendas parlamentares e vetou R$ 61 bilhões do orçamento aprovado pelo Congresso, reduzindo o valor das emendas ao patamar de 2025, próximo de R$ 50 bilhões. A decisão desagradou parte dos congressistas, que veem nas emendas importante ferramenta eleitoral.
Demais destaques
• O senador Laércio Oliveira assinou requerimento ao STF solicitando prisão domiciliar humanitária para o ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando questões de saúde e princípios constitucionais.
• Levantamento do jornal O Globo mostra que repasses de emendas para ONGs saltaram de modo exponencial: dez vezes desde 2019, alcançando R$ 1,7 bilhão em 2025; parte dos recursos foi destinada a entidades ligadas a familiares e ex-assessores de parlamentares.
Com a oposição ainda sem alinhar discurso e candidaturas, o governador Fábio Mitidieri mantém vantagem no tabuleiro político sergipano, impulsionado por índices positivos de segurança pública e pela fragmentação dos adversários.
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