Mensagens revelam esquema suspeito envolvendo o senador Ciro Nogueira e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Dinheiro teria sido transportado em sacola por aeronave ligada a investigado por lavagem bilionária.
A Polícia Federal (PF) investiga um suposto pagamento de R$ 350 mil em espécie ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As informações foram reveladas através de mensagens entre Vorcaro e Fabiano Zettel, que indicam que a entrega do dinheiro ocorreu por meio de uma aeronave utilizada dias antes do repasse ao parlamentar.
O piloto do voo afirmou que transportou uma sacola com dinheiro e mencionou um passageiro chamado “Roberto Leme”, que apurações sugerem ser o empresário conhecido como “Beto Louco”. Este é suspeito de liderar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro na Operação Carbono Oculto. O piloto relatou que ouviu o passageiro mencionar o nome de Ciro Nogueira, afirmando que tudo estava certo e que o parlamentar já o aguardava.
Para a PF, os eventos que ocorreram em agosto de 2024 “indicam fortemente a prática dos crimes de corrupção passiva e ativa”. As informações foram tornadas públicas pelo ministro André Mendonça do STF (Supremo Tribunal Federal), logo após o ministro Gilmar Mendes agendar o julgamento sobre a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo de Daniel, respectivamente.
A PF encontrou mensagens entre Vorcaro e Zettel, onde Vorcaro solicita que “resolva Ciro” e pede para “mandar lá agora”. Zettel encaminhou os pagamentos pendentes, referindo-se a “Espécie Ciro 350k”. O ex-banqueiro confirmou que o dinheiro para o pagamento estava “indo”, ao menos em parte, e reforçou a ordem para que “Ciro” fosse pago em espécie.
No mesmo dia em que a conversa ocorreu, a aeronave utilizada por Daniel Vorcaro fez um trajeto que ligou São Paulo a Brasília, com uma escala no Rio de Janeiro. A PF também localizou outras mensagens no celular de Vorcaro que demonstram o uso da mesma aeronave para viagens de interesse do banqueiro.
Além disso, foi revelado que Daniel Vorcaro contava com a ajuda de Marilson Roseno da Silva, então escrivão da Polícia Federal, para monitorar investigações que pudessem estar ocorrendo a respeito de sua atuação enquanto dono do Banco Master desde agosto de 2021. Um relatório da PF indica que Silva utilizava o sistema interno da polícia para realizar buscas relacionadas a Vorcaro e seus associados, a fim de identificar se havia apurações contra eles.
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