O Progressistas foi o partido que mais registrou emendas de comissão em nome de sua Liderança na Câmara dos Deputados em 2025. A legenda indicou R$ 427,7 milhões em 464 emendas, que correspondem a cerca de um terço dos R$ 1,3 bilhão distribuídos por meio dessa modalidade. Os dados foram divulgados pela Transparência Brasil nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026.
O levantamento revelou que mais da metade dos recursos do Progressistas foi destinada ao Piauí, totalizando R$ 216,5 milhões, reduto eleitoral do presidente do partido, o senador Ciro Nogueira, que é pré-candidato à reeleição. Em seguida, o União Brasil destinou R$ 135 milhões ao Maranhão, base eleitoral do líder da bancada, Pedro Lucas Fernandes, que também é pré-candidato ao Senado.
Na sequência, o PL ficou com R$ 254,3 milhões, sendo a maior quantia destinada ao Estado de São Paulo, no montante de R$ 101,4 milhões. O Republicanos ocupou a quarta posição, com R$ 218,5 milhões, dos quais quase metade, R$ 95 milhões, foi indicada para a Paraíba, reduto do presidente da Câmara, Hugo Motta.
O Avante indicou R$ 30 milhões em 2025, com a maior parte, R$ 20 milhões, destinada à Bahia, base política do líder da época, Neto Carletto. Já o líder do Solidariedade na Câmara, Aureo Ribeiro (RJ), direcionou 100% das emendas de líderes para seu Estado, totalizando R$ 22 milhões. O Podemos ficou na última posição, com R$ 19 milhões, sendo São Paulo o Estado que recebeu a maior parte dessas emendas, base eleitoral do líder Rodrigo Gambale.
O levantamento também destacou que o Congresso Nacional registrou 16,6 mil indicações de beneficiários para R$ 11,7 bilhões em emendas de comissão, sendo que, enquanto no Senado todas as indicações estão vinculadas a um senador, na Câmara, as indicações, que somam R$ 1,3 bilhão, aparecem em nome de líderes partidários, sem identificar os deputados responsáveis pelas destinações.
Após a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA), os líderes partidários reúnem as indicações de recursos apresentadas pelos deputados de suas bancadas e as encaminham às comissões permanentes. Essas comissões deliberam sobre os pedidos e, após aprovação, as indicações são registradas em ata e enviadas ao governo federal para eventual execução, que não é obrigatória.
A Comissão de Saúde foi a principal destinatária das emendas, recebendo R$ 818 milhões distribuídos em 808 indicações, a maioria delas destinadas a fundos municipais de saúde. Também foram destacados os recursos destinados às comissões de Turismo (R$ 163 milhões), Esporte (R$ 134 milhões), Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (R$ 102,5 milhões) e Desenvolvimento Urbano (R$ 43 milhões).
Dados parciais do Orçamento de 2026 indicam que a prática de emendas de Liderança continua sendo utilizada. Até 29 de maio, haviam sido registradas emendas no valor de R$ 373,8 milhões. Seis dos sete partidos que recorreram a esse mecanismo em 2025 repetiram a prática em 2026, com exceção do Solidariedade. O PT, que não havia utilizado a modalidade no ano anterior, passou a registrar R$ 107,5 milhões em emendas vinculadas aos líderes da bancada.
A Câmara dos Deputados informou que há iniciativas em curso para aprimorar a transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares, conforme o Plano de Trabalho formulado pelos poderes Executivo e Legislativo.


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