Câmeras conectadas à internet aumentam o risco de exposições se credenciais ou firmware forem comprometidos. Saiba como reduzir chances de invasão e proteger sua rotina e outros aparelhos na mesma rede.
Colocar uma câmera Wi‑Fi dentro de casa pode aumentar a sensação de segurança, mas também levanta dúvidas sobre a possibilidade de invasões. Se o equipamento ou as credenciais de acesso forem comprometidas, aquilo que deveria proteger a residência pode acabar expondo a rotina dos moradores.
O risco existe porque essas câmeras permanecem conectadas à internet e, assim como celulares, computadores e outros aparelhos inteligentes, podem ser alvo de cibercriminosos. Uma invasão pode permitir desde o acompanhamento do dia a dia até o acesso a outros dispositivos ligados à mesma rede.
“Cibercriminosos podem acessar imagens e áudios, acompanhar a rotina dos moradores, identificar quando a casa está vazia e usar o conteúdo para espionagem, perseguição, chantagem ou venda ilegal”
— Roberto Rebouças, gerente geral da Kaspersky Brasil.
Nem sempre é preciso empregar técnicas complexas para invadir uma câmera. Em muitos casos, a porta de entrada mais vulnerável é a própria conta usada para acessar o equipamento, sobretudo quando protegida por senhas simples ou repetidas em vários serviços. Se uma credencial vazou em outro site, invasores podem testar a mesma combinação em diferentes plataformas.
“Invasores costumam tentar acessar câmeras usando senhas padrão, fáceis de descobrir, como números sequenciais (1,2,3,4) ou que foram usadas em outros serviços. Se uma senha vaza em um site ou aplicativo, eles podem tentar a mesma senha na câmera”
— destaca o especialista.
Além das credenciais, falhas no sistema da câmera ou no aplicativo, ausência de atualizações de segurança e uma rede Wi‑Fi desprotegida também aumentam a exposição. Por isso, um aparelho que funciona normalmente não significa que estará protegido durante toda a vida útil; atualizações do fabricante são fundamentais para corrigir vulnerabilidades descobertas depois da venda.
Escolher senhas fortes e exclusivas é a primeira barreira. A recomendação é usar combinações longas, evitar reaproveitar senhas de e‑mail, redes sociais ou serviços de streaming, e não empregar nomes ou datas de nascimento fáceis de descobrir. Porém, essa medida não deve ser a única adotada.
“Sem ela, se alguém descobrir a senha, é como encontrar um carro destrancado: basta entrar e tentar ligá‑lo. Com o segundo fator, mesmo que a senha seja descoberta, ainda existe uma segunda barreira para impedir o acesso”
— ressalta o especialista.
Além da autenticação em duas etapas, é importante manter atualizados o aplicativo que controla a câmera e o software do roteador da residência. Outra orientação prática é conectar a câmera a uma rede separada, como a rede de convidados ou a destinada a dispositivos inteligentes, para dificultar que uma invasão ao aparelho alcance celulares e computadores da rede principal.
Na hora da compra, recursos como resolução e visão noturna são importantes, mas os aspectos de segurança também devem entrar na avaliação. Antes de adquirir, o consumidor deve verificar se o fabricante oferece atualizações de segurança, por quanto tempo o produto receberá suporte e se é possível trocar a senha padrão. Também é recomendado checar a disponibilidade de autenticação em dois fatores e a política de privacidade da marca.
Outro ponto a observar é se a empresa possui histórico de corrigir problemas de segurança quando aparecem, o que ajuda a identificar fabricantes que continuam oferecendo suporte e disponibilizam correções quando novas vulnerabilidades são descobertas.



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