O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, se manifestou sobre as declarações da primeira-dama, Janja Silva, feitas na última segunda-feira, 13. Janja expressou apoio à ex-ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que fez acusações de importunação sexual contra Almeida.
Silvio Almeida utilizou suas redes sociais para contestar as afirmações de Janja, afirmando que ela lhe atribuiu uma “culpa antecipada por uma conduta” que não teria ocorrido, e ressaltou que “o nome disso é linchamento” público. Ele ainda enfatizou a necessidade da presunção de inocência, lembrando que o marido de Janja, o presidente Lula, também foi alvo de acusações precipitadas no passado. “Mais do que ninguém, a senhora deveria saber a importância da presunção de inocência, vez que seu marido também foi vítima de quem se apressou em acusá-lo injustamente, num episódio que marcou a história recente deste país”, afirmou.
Em sua declaração, Silvio Almeida também destacou que sua vida e honra não devem ser usadas como ativos políticos. “O julgamento social antecede o processo e é esse julgamento antecipado que eu preciso enfrentar enquanto a investigação segue seu curso”, declarou.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia denunciado o ex-ministro por importunação sexual contra Anielle Franco em março deste ano, e o caso está sob a relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), correndo sob sigilo de Justiça. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que as provas coletadas durante a investigação corroboram o relato de Anielle.
Janja comentou sobre o caso durante uma entrevista ao podcast Frente a Frente, do UOL, onde disse que Anielle foi assediada por Almeida. “Cobraram muito dela isso [ter uma rota de ação]. Uma pessoa que está na posição dela, como ministra, ser assediada por um outro ministro… Você imagina como fica a cabeça dela”, declarou. Ela também enfatizou que não hesitará em apoiar uma mulher vítima de importunação sexual, afirmando que “não precisa tomar uma decisão” para isso.
Além disso, Janja revelou que já foi alvo de assédio sexual enquanto ocupava o cargo de primeira-dama, mas optou por não revelar detalhes ou nomes envolvidos. Em março, ela mencionou em outro programa que havia sido importunada duas vezes no cargo, mas decidiu falar apenas quando achou necessário.
O caso resultou na demissão de Silvio Almeida pelo presidente Lula em setembro de 2024. Quase quatro meses após a denúncia, Almeida ainda não foi localizado pela Justiça para ser notificado sobre o processo. A Justiça de São Paulo não conseguiu encontrá-lo nos endereços informados, levando a PGR a indicar novos locais para sua localização.
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