No dia 16 de março de 1990, a então ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, proferiu uma frase que se tornou emblemática: “o povo é um detalhe”. Décadas depois, a realidade permanece a mesma nos corredores do poder em Brasília. O Tecon Santos 10, considerado o maior projeto portuário do Brasil, enfrenta uma série de entraves regulatórios que desconsideram o impacto sobre a população.
Atualmente, o Porto de Santos opera em sua capacidade máxima, com taxas de ocupação acima de 85% e filas de navios, resultando em prejuízos bilionários. A expansão da infraestrutura portuária é lenta e apática, levando a um diagnóstico alarmante: se as dificuldades persistirem, o complexo portuário pode colapsar até 2029. Isso impactaria diretamente o comércio nacional e internacional, comprometendo o abastecimento e aumentando os preços e o desemprego.
As autarquias parecem estar desconectadas das necessidades da população. Um “clube” elitizado em Brasília discute temas que não envolvem o trabalhador comum, que não compreende termos como “HHI” ou “leilão bifásico”. Essa exclusão do debate público resulta em um cenário em que os interesses de poucos prevalecem sobre as necessidades de muitos.
É contraditório defender programas sociais enquanto a inércia estatal em relação à infraestrutura gera uma inflação logística que prejudica a todos. A função da infraestrutura deve ser garantir dignidade e emprego, e não alimentar interesses burocráticos. O povo, que deveria ser o foco, permanece à margem das decisões que afetam sua vida diária.
A conteinerização é crucial para a inclusão social, com dados da UNCTAD indicando que o transporte marítimo é responsável por mais de 80% do comércio global. A paralisação no fluxo de contêineres representa um imposto invisível que afeta diretamente o orçamento das famílias, encarecendo produtos essenciais. O impacto se estende ao mercado de trabalho, onde indústrias enfrentam atrasos na produção devido à falta de insumos, resultando em demissões e aumento da miséria.
Os problemas na condução do leilão pelo ANTAQ são evidentes, com erros que podem levar à judicialização do processo. O formato de leilão bifásico, criado às pressas, não respeitou as normas da própria agência e avançou sem a análise jurídica necessária. A exigência desproporcional de movimentação de cargas revela um descompasso entre a demanda e a capacidade do terminal.
Essas falhas administrativas e a omissão em considerar as necessidades da população são inaceitáveis. Cada dia de inércia na modernização da infraestrutura é uma decisão política que penaliza os mais vulneráveis, refletindo uma injustiça social que precisa ser urgentemente corrigida.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →
