Relatórios da PF mostram mensagens e possíveis encontros entre Flávio e o empresário Vorcaro. A investigação diz que ele pediu R$131 milhões, com R$60 milhões pagos; apura também papel de Eduardo Bolsonaro.
Relatórios da Polícia Federal (PF) sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, trazem detalhes de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os documentos também citam possíveis encontros presenciais entre os dois e investigam a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na articulação dos recursos.
Segundo a PF, Flávio teria pedido R$ 131 milhões a Vorcaro para a produção do filme, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos. Em agosto de 2025, o publicitário Thiago Miranda, apontado como intermediário dos repasses, teria cobrado o banqueiro sobre parcelas atrasadas, conforme os relatórios.
Os primeiros registros de mensagens diretas entre Flávio e Vorcaro apareceram, segundo a PF, em 20 de agosto de 2025. Em uma das trocas, Vorcaro escreveu “21 pode ser” e o senador respondeu “Blz”, seguido de uma figurinha. Em seguida, Vorcaro teria respondido com “Kkk” e “Boa” e Flávio teria escrito “A caminho”. A PF considera que esse diálogo indica a possibilidade de um encontro presencial entre os dois no dia 20/08/2025.
“É porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim, né?”
O trecho acima, segundo o relatório da PF, consta em um áudio enviado por Flávio a Vorcaro em 8 de setembro de 2025, no qual o senador teria demonstrado preocupação com os efeitos do atraso nos pagamentos sobre a produção.
Em 16 de novembro de 2025, um dia antes da deflagração da operação citada nos autos, Flávio teria tentado contato telefônico com Vorcaro. O banqueiro teria respondido “Fala irmãozão” e informado estar na igreja. Na sequência, o senador teria escrito:
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”
Sobre transferências internacionais, a PF aponta em relatório de inteligência financeira pelo menos sete remessas da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, que somaram US$ 12,33 milhões. Conforme a PF, o fundo permaneceu juridicamente ativo, mas operacionalmente inerte por quase quatro anos, até receber a primeira remessa de US$ 2 milhões em 13/02/2025.
O Havengate é administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, apontado como aliado de Eduardo Bolsonaro. A PF apura se os recursos enviados aos Estados Unidos também poderiam ter financiado a permanência de Eduardo no país.
“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos.”
O trecho acima consta em captura de tela enviada por Thiago Miranda a Vorcaro em março de 2025, segundo a PF, e foi citado pela Procuradoria-Geral em análise da movimentação financeira. A PF também requisitou documentos societários, contábeis, fiscais, bancários e contratuais da Go Up Entertainment LLC, produtora ligada ao filme. Michael Davis, que se identifica como sócio majoritário da empresa, teria respondido que documentos mantidos nos Estados Unidos não deveriam ser enviados sem os mecanismos de cooperação jurídica internacional.
A investigação integra o conjunto de apurações relacionadas ao caso Banco Master. Flávio e Eduardo Bolsonaro negam irregularidades relacionadas ao financiamento de Dark Horse.
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