O Conselho Federal de Medicina (CFM) apresentou, em 9 de junho de 2026, um novo módulo de inteligência artificial destinado a reforçar a fiscalização do exercício da medicina pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) em todo o país.
Segundo o CFM, a implantação da ferramenta na Plataforma Nacional de Fiscalização deve elevar em 30% o número anual de fiscalizações nos próximos dois anos. A expectativa é que a tecnologia torne a supervisão das atividades médicas mais efetiva, ampliando a capacidade de identificação, monitoramento e análise de situações que exigem atuação dos órgãos de fiscalização.
O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, afirmou em coletiva em Brasília que a solução tecnológica dará suporte aos médicos fiscais, fornecendo subsídios para decisões e agilizando procedimentos de fiscalização. Gallo disse que o investimento reforça a governança institucional, reduz a burocracia e melhora a proteção da saúde pública.
Jeancarlo Cavalcante, terceiro vice-presidente do CFM e diretor responsável pelo Departamento de Inteligência Artificial, explicou que a migração de dados para a nuvem e a digitalização do sistema tornaram possível acompanhar fiscalizações com mais transparência, inclusive por responsáveis técnicos e gestores de estabelecimentos de saúde. Ele declarou que o uso da plataforma representa uma iniciativa inédita em nível global, especialmente por abranger uma classe médica superior a 600 mil profissionais.
O CFM destaca que a atualização — apresentada como versão 4.0 da Plataforma Nacional de Fiscalização — transforma o modelo tradicional, que dependia primariamente de denúncias, para um formato capaz de antecipar problemas por meio de dados e predição. A autarquia afirma que, com essa capacidade, será possível identificar riscos à saúde pública e agir preventivamente em alguns casos.
Tecnologia
O sistema integra bases do CFM e dos CRMs, incluindo históricos de vistorias, cadastros profissionais como o Cadastro Nacional de Médicos, além de informações públicas sobre unidades de saúde do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). A plataforma também cruzará dados com a base da Receita Federal e fará rastreamento de conteúdos em redes sociais e outros ambientes digitais.
De acordo com o diretor responsável, a ferramenta relaciona e monitora denúncias sobre precariedade estrutural em hospitais e sinaliza publicações suspeitas de exercício ilegal da medicina. Publicações detectadas automaticamente poderão ser verificadas e homologadas por servidores humanos do setor de fiscalização do CFM.
O conselho afirma que todo o processamento de informações seguirá os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com mecanismos para garantir segurança e privacidade dos dados tratados.
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