No segundo trimestre de 2026, o crescimento da economia da China desacelerou, alcançando o menor nível em mais de três anos e ficando abaixo das expectativas do mercado e da meta do governo. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou apenas 4,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados oficiais divulgados nesta quarta-feira (15). Este resultado ficou abaixo da previsão de 4,5% feita por analistas e representa uma desaceleração em relação ao crescimento de 5,0% do primeiro trimestre.
Este desempenho marca a menor taxa anual de crescimento da China desde o quarto trimestre de 2022, quando as rígidas restrições da política de combate à Covid-19 ainda impactavam a atividade econômica. Além disso, o resultado ficou aquém do piso da meta oficial de crescimento para o ano, estabelecida entre 4,5% e 5%, destacando os crescentes desafios enfrentados pelas autoridades para reaquecer a demanda e manter o ritmo da economia.
“O debate agora se concentra em como Pequim pretende garantir o cumprimento da meta anual de crescimento. Esperamos que as autoridades mantenham forte foco no fortalecimento da demanda doméstica, especialmente do consumo e dos investimentos em infraestrutura”, afirmou Hao Zhou, analista da Guotai Haitong Securities, de Hong Kong.
A economia chinesa tem demonstrado um crescente desequilíbrio: enquanto a produção industrial continua robusta, impulsionada principalmente pelas exportações ligadas à inteligência artificial, o consumo e os investimentos permanecem pressionados pela crise prolongada no setor imobiliário e pelos impactos do aumento global nos preços do petróleo. Zhou descartou a possibilidade de um amplo pacote de estímulos, indicando que as autoridades prefeririam adotar medidas direcionadas e graduais em vez de implementar um programa de estímulo em larga escala.
Os investidores estão atentos à reunião do Politburo, prevista para o fim de julho, em busca de indicações sobre novas medidas que poderão guiar a política econômica para o restante do ano. Na comparação com o trimestre anterior, o PIB cresceu 0,9% entre abril e junho, em linha com as expectativas dos analistas, após um avanço de 1,3% no primeiro trimestre. No acumulado do primeiro semestre, a economia chinesa registrou um crescimento de 4,7%.
Em junho, os dados mostraram uma produção industrial forte e uma melhora no consumo das famílias, embora o fraco desempenho dos investimentos ainda pesasse sobre a economia. A produção industrial cresceu 5,3% em junho em relação ao ano anterior, acelerando desde o crescimento de 4,5% registrado em maio. As vendas no varejo aumentaram 1,0% em junho, revertendo a queda de 0,6% observada em maio e registrando o maior crescimento em três meses.
Entre janeiro e junho, as vendas de serviços cresceram 5,3%, superando a alta de 1,1% nas vendas de bens. Contudo, o investimento em ativos fixos caiu 5,7% no primeiro semestre de 2026, pior do que a expectativa de retração de 4,9%. O setor imobiliário continuou a enfrentar desafios, com investimentos caindo 18% no semestre em comparação ao mesmo período do ano anterior.
“Um setor industrial impulsionado por alta tecnologia convivendo com o colapso do consumo doméstico e dos investimentos evidencia o caráter profundamente desigual da recuperação econômica”, declarou Andi Ji, analista da ITC Markets.
O primeiro-ministro Li Qiang enfatizou a necessidade de uma “compreensão abrangente e objetiva” da situação econômica atual, sugerindo ajustes anticíclicos. Analistas acreditam que Pequim pode intensificar os estímulos fiscais para evitar uma desaceleração ainda maior da economia, enquanto o banco central enfrenta limitações para adotar um afrouxamento monetário mais agressivo.
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