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Saúde

Estudo aponta que 43,2% das mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas

Um estudo publicado na edição de março da revista The Lancet estima que 43,2% das mortes por câncer no Brasil seriam evitáveis por meio de...

19/02/2026 · 18h14
Estudo aponta que 43,2% das mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas

Um estudo publicado na edição de março da revista The Lancet estima que 43,2% das mortes por câncer no Brasil seriam evitáveis por meio de prevenção, diagnóstico precoce e acesso adequado ao tratamento. A pesquisa projeta que, dos casos de câncer detectados no país em 2022, cerca de 253,2 mil resultarão em óbito até cinco anos após o diagnóstico; desses, 109,4 mil poderiam ser evitados.

O trabalho, assinado por 12 autores — oito deles vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) — divide as 109,4 mil mortes evitáveis em dois grupos: 65,2 mil seriam preveníveis, ou seja, a doença poderia sequer ter ocorrido, e 44,2 mil seriam evitáveis com diagnóstico precoce e tratamento adequado.

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Panorama global e fatores de risco

Em nível mundial, o estudo avaliou 35 tipos de câncer em 185 países e concluiu que 47,6% das mortes por câncer poderiam ter sido evitadas — quase 4,5 milhões de um total de 9,4 milhões de óbitos. Do total global, 33,2% são considerados preveníveis e 14,4% passíveis de evitar com detecção precoce e tratamento.

Os pesquisadores apontam cinco fatores de risco responsáveis por grande parte das mortes evitáveis: tabagismo; consumo de álcool; excesso de peso; exposição à radiação ultravioleta; e infecções causadas por agentes como HPV, vírus da hepatite e a bactéria Helicobacter pylori.

Desigualdades entre países e regiões

O levantamento revela variações significativas entre países e regiões. No norte da Europa, os percentuais de mortes evitáveis são relativamente baixos, com a Suécia em 28,1%, Noruega 29,9% e Finlândia 32%. No outro extremo estão vários países africanos: Serra Leoa registra 72,8% de mortes evitáveis, seguida por Gâmbia (70%) e Malaui (69,6%).

Por regiões, as menores proporções de mortes evitáveis aparecem na Austrália e Nova Zelândia (35,5%), no norte da Europa (37,4%) e na América do Norte (38,2%). As maiores estão na África Oriental (62%), África Ocidental (62%) e África Central (60,7%). A América do Sul tem 43,8% de mortes por câncer evitáveis, indicador similar ao do Brasil.

Índice de Desenvolvimento Humano e tipos de câncer

Ao agrupar países por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o estudo mostra que em nações de baixo IDH 60,8% das mortes por câncer poderiam ter sido evitadas. Em seguida vêm países de IDH alto (57,7%), médio (49,6%) e muito alto (40,5%). O Brasil é classificado como país de IDH alto.

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O câncer do colo do útero aparece como a principal causa de mortes evitáveis em grupos de baixo e médio IDH, enquanto não figura entre os cinco primeiros em países de IDH alto e muito alto. A diferença nas taxas de mortalidade por câncer do colo do útero chega a 3,3 por 100 mil mulheres em países de IDH muito alto contra 16,3 por 100 mil em países de IDH baixo.

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O estudo estima que 59,1% das mortes evitáveis estejam associadas a cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero. O câncer de pulmão foi responsável por 1,1 milhão de mortes preveníveis — 34,6% do total prevenível — enquanto o maior número de mortes tratáveis entre mulheres ocorreu no câncer de mama, com 200 mil óbitos, ou 14,8% das mortes tratáveis.

Medidas recomendadas

Entre as estratégias indicadas pelos autores estão campanhas e políticas para reduzir tabagismo e consumo de álcool, inclusive por aumento de preços; ações para frear o crescimento do excesso de peso, como regulação de publicidade, rotulagem e tributação de alimentos e bebidas não saudáveis; e prevenção de infecções relacionadas ao câncer, por exemplo com vacinação contra o HPV.

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Os pesquisadores também destacam metas para melhorar a detecção do câncer de mama, citando objetivos da OMS de que pelo menos 60% dos casos sejam diagnosticados nos estágios 1 ou 2 e que mais de 80% dos pacientes recebam diagnóstico em até 60 dias após a primeira consulta.

No Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) realizam campanhas regulares voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer.

 

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Um estudo publicado na edição de março da revista The Lancet estima que 43,2% das mortes por câncer no Brasil seriam evitáveis por meio de prevenção, diagnóstico precoce e acesso adequado ao tratamento. A pesquisa projeta que, dos casos de câncer detectados no país em 2022, cerca de 253,2 mil resultarão em óbito até cinco anos após o diagnóstico; desses, 109,4 mil poderiam ser evitados.

O trabalho, assinado por 12 autores — oito deles vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) — divide as 109,4 mil mortes evitáveis em dois grupos: 65,2 mil seriam preveníveis, ou seja, a doença poderia sequer ter ocorrido, e 44,2 mil seriam evitáveis com diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Panorama global e fatores de risco

Em nível mundial, o estudo avaliou 35 tipos de câncer em 185 países e concluiu que 47,6% das mortes por câncer poderiam ter sido evitadas — quase 4,5 milhões de um total de 9,4 milhões de óbitos. Do total global, 33,2% são considerados preveníveis e 14,4% passíveis de evitar com detecção precoce e tratamento.

Os pesquisadores apontam cinco fatores de risco responsáveis por grande parte das mortes evitáveis: tabagismo; consumo de álcool; excesso de peso; exposição à radiação ultravioleta; e infecções causadas por agentes como HPV, vírus da hepatite e a bactéria Helicobacter pylori.

Desigualdades entre países e regiões

O levantamento revela variações significativas entre países e regiões. No norte da Europa, os percentuais de mortes evitáveis são relativamente baixos, com a Suécia em 28,1%, Noruega 29,9% e Finlândia 32%. No outro extremo estão vários países africanos: Serra Leoa registra 72,8% de mortes evitáveis, seguida por Gâmbia (70%) e Malaui (69,6%).

Por regiões, as menores proporções de mortes evitáveis aparecem na Austrália e Nova Zelândia (35,5%), no norte da Europa (37,4%) e na América do Norte (38,2%). As maiores estão na África Oriental (62%), África Ocidental (62%) e África Central (60,7%). A América do Sul tem 43,8% de mortes por câncer evitáveis, indicador similar ao do Brasil.

Índice de Desenvolvimento Humano e tipos de câncer

Ao agrupar países por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o estudo mostra que em nações de baixo IDH 60,8% das mortes por câncer poderiam ter sido evitadas. Em seguida vêm países de IDH alto (57,7%), médio (49,6%) e muito alto (40,5%). O Brasil é classificado como país de IDH alto.

O câncer do colo do útero aparece como a principal causa de mortes evitáveis em grupos de baixo e médio IDH, enquanto não figura entre os cinco primeiros em países de IDH alto e muito alto. A diferença nas taxas de mortalidade por câncer do colo do útero chega a 3,3 por 100 mil mulheres em países de IDH muito alto contra 16,3 por 100 mil em países de IDH baixo.

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O estudo estima que 59,1% das mortes evitáveis estejam associadas a cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero. O câncer de pulmão foi responsável por 1,1 milhão de mortes preveníveis — 34,6% do total prevenível — enquanto o maior número de mortes tratáveis entre mulheres ocorreu no câncer de mama, com 200 mil óbitos, ou 14,8% das mortes tratáveis.

Medidas recomendadas

Entre as estratégias indicadas pelos autores estão campanhas e políticas para reduzir tabagismo e consumo de álcool, inclusive por aumento de preços; ações para frear o crescimento do excesso de peso, como regulação de publicidade, rotulagem e tributação de alimentos e bebidas não saudáveis; e prevenção de infecções relacionadas ao câncer, por exemplo com vacinação contra o HPV.

Os pesquisadores também destacam metas para melhorar a detecção do câncer de mama, citando objetivos da OMS de que pelo menos 60% dos casos sejam diagnosticados nos estágios 1 ou 2 e que mais de 80% dos pacientes recebam diagnóstico em até 60 dias após a primeira consulta.

No Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) realizam campanhas regulares voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer.

 

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