Um exame físico anual é considerado medida preventiva padrão para adultos, mas muitos jovens da Geração Z têm deixado de lado as consultas médicas regulares. Uma pesquisa nacional recente, realizada pelo Centro Médico Wexner da Universidade Estadual de Ohio, revela que mais de 25% dos jovens adultos não têm um médico de atenção primária.
Entre os jovens que afirmaram ter um médico, a maioria não realiza consultas de rotina ou não as agenda: apenas 47% dos jovens de 18 a 29 anos relataram ter feito uma consulta anual de bem-estar no último ano. Especialistas alertam que a ausência de consultas médicas na juventude pode ter consequências sérias, já que oportunidades de prevenção perdidas nessa fase podem aumentar o risco de doenças na vida adulta.
Nos últimos anos, as taxas de câncer colorretal dispararam entre jovens, tornando-se a principal causa de morte por câncer em pessoas com menos de 50 anos. “Uma consulta anual não se trata apenas da saúde de hoje — ela ajuda a identificar riscos futuros, mantém os cuidados preventivos em dia e oferece um profissional de saúde de confiança que conhece seu histórico médico e pode ajudar a lidar com problemas de saúde, sejam eles físicos ou mentais, à medida que surgem”, ressalta a Dra. Leana Wen, médica de emergência e professora associada clínica da Universidade George Washington.
A pesquisa consultou 1.006 pessoas de diversas faixas etárias sobre seus hábitos de saúde. Os resultados mostram que os idosos são os que mais relataram ter um médico de família: 97% dos entrevistados com 65 anos ou mais afirmaram ter um profissional de referência, ante apenas 71% dos adultos mais jovens. Muitos jovens da Geração Z têm buscado clínicas de pronto atendimento para problemas de saúde não emergenciais, com 36% deles procurando primeiro esse tipo de serviço.
“Há oportunidades perdidas de construir uma relação de confiança com alguém que pode potencialmente evitar que você precise ir ao pronto-socorro ou ajudá-lo de maneiras que contribuam para a manutenção da sua saúde”, destaca o Dr. Russell Phillips, consultor sênior de inovação na divisão de atenção primária da clínica geral do Beth Israel Deaconess Medical Center.
Os jovens podem estar menos preocupados com riscos à saúde do que gerações mais velhas, já que geralmente são menos propensos a doenças associadas à idade — mas isso não significa que Geração Z e millennials estejam imunes a doenças graves precoces. O Dr. Zachary Bittinger, médico de família, afirma que a redução na idade recomendada para rastreio de câncer de cólon reforça a necessidade de cuidados preventivos em idades cada vez mais jovens.
Especialistas recomendam que, se o primeiro médico consultado não for o ideal, os jovens continuem procurando até encontrar um profissional com quem se sintam à vontade — consultar familiares ou amigos pode ajudar nessa busca. A experiência de Olivia Hall, de 27 anos, que consultou sete médicos de atenção primária em seis anos até ser corretamente diagnosticada por um especialista, ilustra esse desafio.
“Um médico de confiança que realmente ouve e ajuda a dar os primeiros passos pode poupar às pessoas anos de dificuldades e inseguranças”, afirma Hall.
Os resultados da pesquisa são consistentes com estudos anteriores que mostram que jovens adultos têm menos probabilidade de ter um médico de atenção primária, reforçando a necessidade de uma abordagem mais eficaz para garantir que todos os grupos etários recebam os cuidados de saúde adequados.
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