Trabalhadores brasileiros sacaram R$ 154,3 bilhões do FGTS em retiradas extraordinárias desde 2016. Corrigido pela inflação, o valor chega a R$ 203,6 bilhões. Dados foram apresentados no Conselho Curador do fundo.
As liberações extraordinárias do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) totalizam até R$ 154,3 bilhões desde 2016, considerando as medidas implementadas nos governos de Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Quando corrigidos pela inflação, esses valores somam R$ 203,6 bilhões. Os dados foram apresentados nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, durante a 205ª reunião ordinária do Conselho Curador do FGTS.
Conforme a apresentação realizada, os saques extraordinários realizados até 2022 totalizaram R$ 120 bilhões em valores nominais, ou R$ 168,9 bilhões quando corrigidos pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) até abril de 2026. Esse montante inclui a liberação de contas inativas em 2016, os saques de até R$ 500 autorizados em 2019, a retirada emergencial durante a pandemia de covid-19 em 2020 e o saque extraordinário de até R$ 1.000 em 2022.
No atual governo, outras três medidas ampliaram o uso do FGTS. A MP (medida provisória) 1.290 de 2025 autorizou saques de R$ 11,2 bilhões para trabalhadores demitidos que haviam aderido ao saque-aniversário. Em seguida, a MP 1.331 de 2025 liberou mais R$ 14,9 bilhões para o mesmo grupo. Já a MP 1.355 de 2026 permite o uso do FGTS como garantia para a renegociação de dívidas no programa Desenrola Brasil, com um limite de participação do fundo de até R$ 8,2 bilhões.
Somadas, as três medidas do governo Lula alcançam até R$ 34,3 bilhões em valores nominais, ou até R$ 34,7 bilhões corrigidos pelo IPCA. Durante a apresentação, técnicos do Ministério do Trabalho esclareceram que as liberações não foram universais e tiveram objetivos específicos de política pública. Por exemplo, a MP de 2026 faz parte da linha Desenrola Famílias, permitindo que o trabalhador utilize até R$ 1.000 ou 20% do saldo do FGTS, prevalecendo o maior valor, para quitar ou renegociar dívidas junto a instituições financeiras habilitadas.
Os técnicos também informaram que, em todas as modalidades extraordinárias, a Caixa Econômica Federal, como agente operador do fundo, realizou estudos para medir os impactos das retiradas sobre a sustentabilidade financeira do FGTS. Segundo a apresentação, essas medidas representam uma prestação de contas sobre o uso do fundo nos últimos anos, diante da ampliação de sua utilização para finalidades além do financiamento habitacional, do saneamento e da infraestrutura.
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