Relatório da Comissão de Análise das Dívidas expõe passivo bilionário do clube catarinense. Crescimento foi impulsionado por reconhecimentos ocultos e atualização tributária.
A Comissão de Análise das Dívidas do Avaí apresentou, em reunião do Conselho Deliberativo, um relatório que expõe a real dimensão do passivo do clube e sugere mudanças na gestão financeira. Em três anos, a dívida do Avaí cresceu quase 100%, saltando de R$ 159 milhões em 2023 para R$ 295 milhões atualmente.
Esse aumento se deu, em grande parte, devido a reconhecimentos não previstos nos balanços anteriores e à atualização do endividamento tributário. O Raio-X da dívida do Avaí revela a seguinte situação: R$ 22.765.000,00 em dívidas cíveis, R$ 24.290.313,00 em dívidas financeiras, R$ 48.443.290,94 em dívidas trabalhistas e R$ 195.053.205,90 em dívidas tributárias, totalizando R$ 290.551.809,84.
A dívida junto à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), que exige pagamento imediato, é de cerca de R$ 840 mil. Além disso, o Avaí enfrenta um patrimônio líquido negativo de R$ 175 milhões e uma liquidez corrente de apenas 0,13, o que dificulta a capacidade de honrar compromissos a curto prazo.
A falta de liquidez impacta diretamente o departamento de futebol, exigindo a venda de jogadores para garantir a operação diária do clube. O relatório menciona que “os indicadores demonstram um cenário de elevada fragilidade financeira, marcado pela redução da liquidez, crescimento do endividamento e aprofundamento do patrimônio líquido negativo”.
Por outro lado, a Comissão considera que o perfil da dívida pode favorecer a reestruturação do Avaí, visto que aproximadamente 77% do passivo está concentrado no longo prazo, permitindo renegociações e medidas de reestruturação financeira.
Mensalmente, o clube precisa desembolsar mais de R$ 3 milhões para suas operações, distribuídos entre várias despesas, como a prestação da Recuperação Judicial, salários e tributos. Com a nova transação tributária e o parcelamento de taxas municipais, o custo mensal sobe para R$ 3.589.622,79, sem incluir passivos trabalhistas não contemplados na Recuperação Judicial.
Ainda que a Recuperação Judicial tenha proporcionado um alívio ao clube, com um abatimento de R$ 19 milhões no passivo cível e trabalhista, o risco de falência permanece. A ausência de uma Certidão Negativa de Débitos é um fator crítico, já que a Justiça determinou que o Avaí apresente esse documento até 2 de julho. Caso contrário, o plano de Recuperação Judicial poderá ser suspenso, resultando em perda de descontos e aumento do passivo.
Ao final do relatório, a Comissão sugere à Diretoria Executiva a implementação de um orçamento gerencial realista e transparente, além da criação de uma frente conjunta com outros clubes para pleitear subsídios governamentais que reduzam o risco de falência em massa no futebol brasileiro.
A Comissão de Análise de Dívidas foi formada em uma reunião emergencial de gestão de crise do Conselho Deliberativo, realizada no dia 25 de maio. O grupo é composto por sócios e conselheiros do clube, que buscam soluções para a grave situação financeira do Avaí.

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