A massa de ar polar que atua sobre o Centro-Sul do Brasil continua a influenciar o tempo nesta terça-feira, 14 de julho de 2026, mantendo as temperaturas baixas em partes do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Os efeitos dessa massa de ar são particularmente notáveis nas áreas mais elevadas da Região Sul, onde a formação de geadas é favorecida.
Em Campos do Jordão, São Paulo, a temperatura registrou 2,1°C, igualando a menor marca do estado em 2026, de acordo com a Defesa Civil. Na capital paulista, a estação do Mirante de Santana, pertencente ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), registrou uma mínima de 11,4°C.
Apesar das baixas temperaturas, uma mudança nas condições climáticas é esperada ainda nesta semana. A partir de quinta-feira, 16 de julho, uma nova frente fria deve avançar pela Argentina e Uruguai em direção ao Rio Grande do Sul, trazendo o retorno da chuva e aumentando o risco de temporais no estado.
O meteorologista do Inmet, Francisco de Assis Diniz, destacou que a atual massa de ar polar está dentro do comportamento esperado para a estação e não representa o evento mais intenso do ano. Ele afirmou:
“Essa massa de ar polar está dentro das condições normais. Outras já ocorreram neste ano e foram mais intensas, com temperaturas chegando a cerca de 7°C abaixo de zero nas áreas mais altas do Sul de Santa Catarina. Desta vez, as mínimas ficaram em torno de -2°C e -3°C.”
Os principais impactos da massa de ar ocorrem nas regiões de maior altitude da Região Sul, onde geadas são esperadas nos planaltos Sul e Norte de Santa Catarina, na Serra Gaúcha, no sul do Paraná e em algumas áreas da região de Curitiba. Há também possibilidade de temperaturas próximas de 0°C em municípios da Campanha Gaúcha, como Quaraí.
A atuação da massa de ar polar deverá perder força nos próximos dias, permitindo uma mudança no padrão atmosférico sobre o Sul do Brasil. Com o deslocamento da área de alta pressão para o oceano, uma nova área de baixa pressão deve se formar entre o Paraguai, o norte da Argentina e o Rio Grande do Sul, propiciando o retorno do calor e da umidade para a região.
Esse novo sistema originará uma frente fria, trazendo condições para chuvas intensas, descargas elétricas, rajadas de vento e, pontualmente, queda de granizo no Rio Grande do Sul. O boletim semanal do Inmet aponta que a chuva deve iniciar no sul do estado no sábado, 18 de julho, intensificando-se no domingo, 19, e na segunda-feira, 20, com acumulados pontuais de até 50 milímetros.
À medida que avança para o oceano, a baixa pressão pode se aprofundar e se transformar em um ciclone extratropical, intensificando as instabilidades. Segundo o meteorologista Mateus Nunes, da Tempo OK, o diferencial desse episódio foi a abrangência da massa de ar frio, que não se restringiu ao Sul, mas também afetou boa parte do Sudeste, Centro-Oeste e sul da Bahia.
A meteorologista Maria Clara Sassaki, da Tempo OK, esclareceu que, embora o El Niño esteja em desenvolvimento no Pacífico, não tem relação direta com a massa de ar fria atual. Segundo ela, incursões de ar polar como essa são comuns no inverno e costumam avançar para além da Região Sul.
Após a passagem da frente fria, espera-se que o ar seco e quente volte a predominar sobre grande parte do país, resultando em temperaturas acima da média na segunda quinzena de julho, enquanto as chuvas devem se concentrar na Região Sul, com pouca capacidade de se espalhar para outras áreas.
“Assim que essa massa de ar frio perder intensidade, depois de quinta-feira (16), o ar seco e quente vai predominar na maior parte do Brasil e devemos ter temperaturas acima da média na maior parte do período. As chuvas que se formarem no Sul terão pouca condição de avançar para outras áreas do país, por isso teremos esse período de pelo menos uma semana de temperaturas elevadas, podendo ser até mais,” concluiu Maria Clara Sassaki.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

