O decano do STF disparou críticas ao colega André Mendonça no Roda Viva. Segundo Gilmar, o relator agiu de forma ilegal ao receber proposta de delação de Daniel Vorcaro.
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, afirmou que o ministro André Mendonça cometeu um “erro crasso” ao conversar com um advogado de Daniel Vorcaro sobre uma proposta de acordo de delação. A declaração foi feita durante a sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (22 de junho de 2026).
Durante a entrevista, Gilmar Mendes destacou que a participação do relator em negociações de delação é inadequada, pois a lei proíbe essa interação. “Na conversa que tivemos, André Mendonça disse que tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. Aqui já há uma impropriedade, porque a lei não permite que o relator participe da delação”, afirmou Mendes.
O ministro ressaltou que o relator não deve conduzir o processo nem pode expulsar advogados que não cumpriram promessas feitas. Mendes ficou isolado na última semana, sendo o único membro da 2ª Turma a divergir de André Mendonça em relação à prisão do pai e do primo de Daniel Vorcaro.
Gilmar Mendes também frisou que seu voto não se restringia à Turma, mas possuía um significado histórico para o tribunal. Ele mencionou que o caso Master foi marcado por diversos “excessos”, como a troca de relatores e a autorização de Mendonça para a quebra de sigilo de Vorcaro pela CPMI do INSS, além das prisões e “muitos vazamentos”.
“Acho que é uma tarefa difícil e, por isso, é importante que se paute por uma métrica. É importante que não se repitam os erros do passado”, afirmou o ministro, ao comentar sobre a relatoria do caso.
Sobre os vazamentos das investigações, Mendes comparou o inquérito sobre possíveis fraudes do Banco Master à operação Lava Jato, da qual é um crítico notório. Recentemente, o decano completou 24 anos de atuação no STF e tem se mostrado ativo em conceder entrevistas sobre assuntos sensíveis envolvendo os Três Poderes.
Na última terça-feira (16 de junho), Mendes votou pela soltura de Felipe Vorcaro, primo do fundador do Banco Master, e pela conversão da prisão do pai do investigado, Henrique Vorcaro, para prisão domiciliar. Ele apontou que os investigadores estão “no rumo errado” e criticou o uso de prisões pela Polícia Federal para pressionar a delação de Daniel Vorcaro.
O decano enfatizou que a prisão em regime de segurança máxima de Daniel Vorcaro poderia comprometer a integridade das investigações, criando um ambiente de pressão psicológica. “Causa perplexidade que o investigado tenha sido submetido a um regime mais grave com fundamentação genérica”, criticou.
Em resposta à divergência com Gilmar, Mendonça declarou que “prender para fazer delação seria abjeto” e reafirmou que sua atuação como magistrado não se presta a “fazer trabalhos abjetos”. O ministro argumentou que a ordem de prisão foi fundamentada em provas robustas apresentadas pela Polícia Federal, que indicam pagamentos e ordens para perseguir possíveis testemunhas da investigação.
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