O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) têm efeitos restritos ao território norte-americano. A declaração ocorreu na quarta-feira (1º de julho de 2026), no contexto da inauguração do Escritório Nacional Antifacção, em São Paulo. O governo de Donald Trump anunciou sanções econômicas contra duas pessoas e três empresas brasileiras, acusando-as de envolvimento com a rede de lavagem de dinheiro da facção criminosa.
Durante seu discurso, o ministro destacou a importância do respeito à soberania brasileira nas ações de combate ao crime organizado.
“Essa designação específica somente produz efeitos no âmbito dos Estados Unidos, não tem nenhuma repercussão de extraterritorialidade. Todas as nações devem aprofundar e sofisticar os seus mecanismos de combate ao crime organizado, desde que a soberania do outro país seja respeitada”, declarou.
As sanções anunciadas representam a primeira ação contra indivíduos e entidades com possível relação ao PCC desde que o governo Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, em junho de 2026. Essa iniciativa visa intensificar a ofensiva americana contra a presença financeira do PCC em seu território.
Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública, também comentou sobre o tema, afirmando que os EUA têm autonomia para definir suas estratégias, mas ressaltou que isso não deve ultrapassar a soberania brasileira.
“Os Estados Unidos são um país soberano, podem ter a sua autonomia para definir da melhor maneira. A grande questão é respeitar a nossa soberania, respeitar o ordenamento jurídico brasileiro e nós sempre estaremos à disposição para cooperar com qualquer que seja os países e os organismos que queiram enfrentar o crime organizado”, disse.
A inauguração do Escritório Nacional Antifacção, na mesma data, marca um passo importante na estratégia nacional de regionalização da Secretaria Nacional de Segurança Pública. A nova unidade atuará como um ponto permanente de articulação entre os diferentes níveis de governo no combate ao crime organizado. Localizado na região da Luz, no centro de São Paulo, o escritório desenvolverá ações de inteligência e estratégias para enfrentar as organizações criminosas.
O ministro ressaltou a necessidade de levar a presença do Estado para os locais onde os desafios são mais evidentes, afirmando que
“não é possível enfrentar organizações criminosas apenas a partir de Brasília”.
O secretário Chico Lucas ainda enfatizou que o objetivo principal do novo escritório é “asfixiar” financeiramente as facções. Ele mencionou a recente edição da lei antifacção e o lançamento do Programa Brasil contra o Crime Organizado, que inclui diversas frentes de atuação, como o combate ao tráfico de armas e a segurança nos presídios.
Além da integração entre as forças de segurança, o escritório coordenará iniciativas voltadas à asfixia financeira das facções e promoverá o intercâmbio de informações estratégicas. A coordenação da unidade em São Paulo ficará sob a responsabilidade de Benedito Mariano, ex-ouvidor das Polícias de São Paulo, e outras unidades devem ser inauguradas no Rio de Janeiro e em Foz do Iguaçu.
O ministério também anunciou investimentos nos 138 presídios existentes no país, visando melhorar a capacidade e segurança das unidades, contribuindo assim no enfrentamento ao crime organizado. O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, destacou que os investimentos incluirão equipamentos de segurança e identificação, com base no mapeamento das organizações criminosas atuantes nos presídios.
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