Após uma rodada de compromissos pelo país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retornará a Brasília nesta quarta-feira (24) para se reunir com o senador Jaques Wagner (PT-BA). O encontro tem como objetivo definir se o aliado permanecerá na liderança do governo no Senado Federal.
Fontes palacianas indicam que a reunião deve ocorrer antes que o presidente retorne aos compromissos fora da capital, programados para quinta-feira (25). Lula está apressando suas agendas, considerando o calendário de restrições eleitorais que proíbe inaugurações e publicidades a partir do dia 4 de julho.
Informações obtidas revelam que a tendência é de que Jaques Wagner não permaneça na liderança do governo, devido ao desgaste político ocasionado pela operação da Polícia Federal da qual foi alvo na semana passada. Apesar disso, auxiliares do presidente preferem não fazer previsões definitivas, já que a decisão envolve a relação de longa data entre os dois petistas.
“Não acho que o Lula vai fazer isso, mas se ele fizer, é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema”, afirmou Jaques Wagner, referindo-se à possibilidade de deixar o cargo.
Antes de se encontrar com Lula, Jaques Wagner terá um encontro agendado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Durante essa reunião, o senador petista deve agradecer a Alcolumbre pelo apoio público que recebeu após a operação policial.
Alcolumbre já se manifestou publicamente, criticando os julgamentos antecipados sobre agentes públicos, e expressou sua convicção de que as verdades sobre Jaques Wagner serão reveladas ao longo do processo. Nos últimos dias, o senador tem buscado apoio entre colegas do Senado, realizando telefonemas para outros parlamentares, como Otto Alencar (PSD), presidente da Comissão de Constituição e Justiça.
Aliados de Jaques Wagner, incluindo o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e o ex-ministro Rui Costa, também estão envolvidos no esforço de contenção de danos, já que o senador se prepara para a reeleição em outubro deste ano.
Quanto à sucessão de Jaques Wagner na liderança do governo, o ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE) é considerado o favorito. Embora esteja focado em campanhas na região Nordeste, sua qualificação e a falta de opções o colocam em destaque. Outros nomes, como Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), foram avaliados, mas não são vistos como ideais para a função. O nome de Otto Alencar também foi cogitado, mas ele já ocupa a presidência da CCJ, o que torna a acumulação de funções pouco recomendável.
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