Governo cancela votação da MP do Frete e prazo expira em 16 de julho. Relator alerta que caminhoneiros podem parar o país caso a medida não seja aprovada a tempo.
O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) criticou nesta terça-feira (16) a decisão do governo de cancelar a reunião que votaria a Medida Provisória (MP) do Frete Mínimo. Como relator do texto na comissão mista, Trovão alertou que, caso a medida caducasse, haveria uma paralisação nacional de caminhoneiros.
A MP foi publicada no Diário Oficial da União em 19 de março e possui um prazo de 120 dias para ser votada, o que significa que sua validade expira em 16 de julho. O deputado expressou sua expectativa de que o texto fosse votado ainda nesta semana, uma vez que na próxima não haverá sessão do Congresso Nacional e, em seguida, ocorrerá o recesso parlamentar programado para 20 de julho.
Durante a sua fala, Trovão questionou os motivos que levaram ao cancelamento do encontro destinado à votação do seu parecer. Ele revelou que, na segunda-feira (15), havia lido o relatório e estava em reunião com o governo para discutir ajustes solicitados, quando recebeu a informação de que a reunião havia sido cancelada pelo vice-presidente da comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Segundo o congressista, a decisão não foi justificada, o que deixou todos os acordos feitos com o governo sem efeito.
“Se o texto não for votado essa semana, pode caducar. E aí o governo terá que fazer milagre. Ninguém que está atrás do volante aguenta mais. Se essa MP caducar, vai haver uma paralisação nacional”, afirmou Trovão em uma entrevista coletiva na Câmara.
O deputado ainda ressaltou que os acordos estabelecidos com o governo envolviam a retirada de tributos da MP. Agora, ele garantiu que, independentemente da nova data para a reunião, não há mais acordos a serem feitos. “Quem quebrou esse acordo foi o Paulo Pimenta e o governo que agiram de má fé e de maneira arbitrária. Se vai haver convocação para amanhã, eu não sei, mas não teremos mais acordo em ponto algum”, concluiu.
A MP do Frete Mínimo tem como objetivo impedir a realização de fretes abaixo dos valores estabelecidos pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e reacende um debate que se intensificou após a greve dos caminhoneiros em 2018. Um dos pontos mais criticados desde a sua edição diz respeito às multas e penalidades, incluindo a suspensão do transporte por tempo determinado.
No relatório, foram retiradas multas que poderiam alcançar R$ 10 milhões, sendo proposta uma nova regra que determina que a penalidade será proporcional ao descumprimento do piso mínimo. Além disso, o relatório amplia o número de infrações necessárias para aplicar sanções mais severas e transforma multas aplicadas antes da publicação da nova lei em advertências.
Outros aspectos do relatório incluem a obrigatoriedade de pagamento do frete em até 30 dias, com pelo menos 70% do valor sendo antecipado para transportadores autônomos. A ANTT também poderá criar pisos mínimos diferenciados de acordo com as características das operações. Durante a apresentação do relatório, Trovão afirmou que nenhuma peculiaridade poderá resultar em pagamento inferior ao piso mínimo nacional.
O deputado também destacou a exigência de contratações de transportadores autônomos em pelo menos 30% das operações, o que representa um aumento em relação à exigência atual de 14%. Além disso, um ponto sensível do relatório é a anistia para caminhoneiros que participaram das manifestações de dezembro de 2022, garantindo que esses profissionais não serão penalizados.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

