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Ortega acaba com eleições e pressiona democracias na América Latina

Análise destaca desafios democráticos na América Latina em meio a movimentos autoritários.

22/07/2026 · 00h00 · Atualizado às 10h07
Ortega acaba com eleições e pressiona democracias na América Latina

Movimentos de líderes, à esquerda e à direita, ameaçam direitos eleitorais e a institucionalidade. A decisão de Daniel Ortega de eliminar as eleições na Nicarágua gerou repúdio internacional.

Novos movimentos de dirigentes políticos na América Latina acendem alertas sobre o respeito ao mínimo de convivência democrática na região. A maioria dos episódios envolve ataques a direitos eleitorais e à própria institucionalidade dos regimes, em países que vão da esquerda à direita do espectro político.

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O caso mais recente veio da Nicarágua, onde Daniel Ortega, no poder desde 2008, anunciou o fim das eleições, uma medida que foi aclamada por seus apoiadores. O episódio gerou repúdio internacional, com autoridades dos Estados Unidos afirmando que Ortega abandonou a pretensão de um consenso popular e pedindo apoio da comunidade internacional para demonstrar à ditadura que não haverá relações normais no hemisfério.

O fenômeno do autoritarismo não se limita à esquerda. Em El Salvador, o presidente Nayib Bukele conseguiu que o Congresso alterasse a lei para permitir que ele dispute um terceiro mandato, algo que era proibido anteriormente. Caso vença, Bukele permanecerá no cargo até 2033, controlando praticamente todas as instituições do país, incluindo as eleitorais e a mais alta instância da Justiça.

Ainda em países com processos eleitorais considerados livres, candidatos derrotados como Gustavo Petro, na Colômbia, e Roberto Sanches, no Peru, alegaram fraude nas eleições, apesar de institutos internacionais apontarem para a legalidade dos processos. Para o cientista político e colaborador do CEPE-MB, Maurício Santoro, a situação reflete uma crise global da democracia. Ele destacou que a América Latina enfrenta um cenário de autoritarismo, com países como Nicarágua, Venezuela e Cuba passando por longas agonias democráticas.

“As declarações do Ortega no último domingo (19) são simplesmente o episódio mais recente de uma série de decisões muito autoritárias”, afirmou Santoro.

Ele também chamou atenção para a ausência de críticas públicas por parte de líderes democráticos da região em relação ao que ocorre na Nicarágua. Para Santoro, o Brasil poderia ter um papel mais ativo na pressão por um retorno da democracia no país e pela libertação de presos políticos, dada a relação histórica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Ortega.

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“Eles são amigos desde os anos 70, uma amizade que antecede a fundação do próprio Partido dos Trabalhadores no Brasil”, ressaltou.

O analista Lourival Sant’Anna destacou que a verdadeira divisão não é entre esquerda e direita, mas entre quem defende a democracia e quem defende o autoritarismo. A história da América Latina tem sido marcada pela alternância de ditaduras de esquerda e de direita, e o Uruguai é citado como uma exceção positiva, com governos mais moderados.

No contexto pós-pandemia, a América Latina tem visto uma guinada na eleição de governos conservadores, alinhados de diversas maneiras com os Estados Unidos. Santoro apontou que o Brasil, com Lula como favorito para a reeleição, representa uma exceção a essa tendência. Ele também observou que a Nicarágua é vulnerável às pressões do governo americano, por depender economicamente do mercado dos Estados Unidos.

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Além disso, os Estados Unidos têm retomado uma agenda intervencionista na região, com ações na Venezuela e pressões sobre Cuba. Santoro concluiu que o processo político na América Latina está em um momento turbulento, com disputas envolvendo não apenas a direita e a esquerda, mas também tensões com potências como China e Rússia.

Apesar do cenário preocupante, o Democracy Index de 2025 da revista britânica The Economist aponta que o panorama democrático na América Latina melhorou após nove anos, impulsionado principalmente pelas eleições na Bolívia, que foram vistas como um avanço democrático.

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Movimentos de líderes, à esquerda e à direita, ameaçam direitos eleitorais e a institucionalidade. A decisão de Daniel Ortega de eliminar as eleições na Nicarágua gerou repúdio internacional.

Novos movimentos de dirigentes políticos na América Latina acendem alertas sobre o respeito ao mínimo de convivência democrática na região. A maioria dos episódios envolve ataques a direitos eleitorais e à própria institucionalidade dos regimes, em países que vão da esquerda à direita do espectro político.

O caso mais recente veio da Nicarágua, onde Daniel Ortega, no poder desde 2008, anunciou o fim das eleições, uma medida que foi aclamada por seus apoiadores. O episódio gerou repúdio internacional, com autoridades dos Estados Unidos afirmando que Ortega abandonou a pretensão de um consenso popular e pedindo apoio da comunidade internacional para demonstrar à ditadura que não haverá relações normais no hemisfério.

O fenômeno do autoritarismo não se limita à esquerda. Em El Salvador, o presidente Nayib Bukele conseguiu que o Congresso alterasse a lei para permitir que ele dispute um terceiro mandato, algo que era proibido anteriormente. Caso vença, Bukele permanecerá no cargo até 2033, controlando praticamente todas as instituições do país, incluindo as eleitorais e a mais alta instância da Justiça.

Ainda em países com processos eleitorais considerados livres, candidatos derrotados como Gustavo Petro, na Colômbia, e Roberto Sanches, no Peru, alegaram fraude nas eleições, apesar de institutos internacionais apontarem para a legalidade dos processos. Para o cientista político e colaborador do CEPE-MB, Maurício Santoro, a situação reflete uma crise global da democracia. Ele destacou que a América Latina enfrenta um cenário de autoritarismo, com países como Nicarágua, Venezuela e Cuba passando por longas agonias democráticas.

“As declarações do Ortega no último domingo (19) são simplesmente o episódio mais recente de uma série de decisões muito autoritárias”, afirmou Santoro.

Ele também chamou atenção para a ausência de críticas públicas por parte de líderes democráticos da região em relação ao que ocorre na Nicarágua. Para Santoro, o Brasil poderia ter um papel mais ativo na pressão por um retorno da democracia no país e pela libertação de presos políticos, dada a relação histórica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Ortega.

“Eles são amigos desde os anos 70, uma amizade que antecede a fundação do próprio Partido dos Trabalhadores no Brasil”, ressaltou.

O analista Lourival Sant’Anna destacou que a verdadeira divisão não é entre esquerda e direita, mas entre quem defende a democracia e quem defende o autoritarismo. A história da América Latina tem sido marcada pela alternância de ditaduras de esquerda e de direita, e o Uruguai é citado como uma exceção positiva, com governos mais moderados.

No contexto pós-pandemia, a América Latina tem visto uma guinada na eleição de governos conservadores, alinhados de diversas maneiras com os Estados Unidos. Santoro apontou que o Brasil, com Lula como favorito para a reeleição, representa uma exceção a essa tendência. Ele também observou que a Nicarágua é vulnerável às pressões do governo americano, por depender economicamente do mercado dos Estados Unidos.

Além disso, os Estados Unidos têm retomado uma agenda intervencionista na região, com ações na Venezuela e pressões sobre Cuba. Santoro concluiu que o processo político na América Latina está em um momento turbulento, com disputas envolvendo não apenas a direita e a esquerda, mas também tensões com potências como China e Rússia.

Apesar do cenário preocupante, o Democracy Index de 2025 da revista britânica The Economist aponta que o panorama democrático na América Latina melhorou após nove anos, impulsionado principalmente pelas eleições na Bolívia, que foram vistas como um avanço democrático.

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