Deputado afirma que novos documentos revelam “infiltração sistêmica” de facções em órgãos públicos e prefeituras; oposição pressiona por quebra de sigilos bancários.
BRASÍLIA – O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o avanço do Crime Organizado no Brasil protocolou hoje um pedido formal à Mesa Diretora da Câmara para estender os trabalhos do colegiado por mais dois meses. O prazo original da CPI expiraria nas próximas semanas, mas o volume de novas provas e depoimentos colhidos sugere que a investigação está longe do fim.
As Razões da Prorrogação
O relator justifica a necessidade de mais tempo com base em três pilares fundamentais descobertos durante as oitivas recentes:
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Infiltração em Prefeituras: Dados do Coaf e da Polícia Federal indicam que empresas de fachada ligadas a facções venceram licitações milionárias de transporte público e coleta de lixo em diversas cidades.
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Conexão Internacional: A CPI identificou uma rota de lavagem de dinheiro que passa por países vizinhos e termina em investimentos imobiliários de luxo no litoral brasileiro.
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Depoimentos Pendentes: Há uma lista de 15 novos convocados, incluindo empresários e ex-servidores públicos, cujas declarações são consideradas cruciais para fechar o relatório final.
O Embate Político
A prorrogação divide opiniões no Congresso. Enquanto a base de oposição vê na CPI uma oportunidade de desgastar o Governo Federal na área da Segurança Pública, parlamentares governistas acusam o relator de “fazer espetáculo político” e de desviar o foco de investigações que poderiam atingir aliados de gestões anteriores.
“Não podemos encerrar os trabalhos agora que chegamos ao ‘andar de cima’. O crime organizado não opera apenas nas favelas; ele veste terno e ocupa cargos de influência”, declarou o relator em entrevista à imprensa após protocolar o pedido.
Próximos Passos
Para que a prorrogação seja efetivada, o presidente da Câmara precisa ler o requerimento em plenário. Como o documento conta com o número mínimo de assinaturas necessárias, a tendência é que os trabalhos continuem até meados de junho de 2026.
Bastidores da Investigação (06/04/2026)
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Sigilos: A comissão deve votar nesta terça-feira a quebra de sigilo telemático de dois assessores parlamentares suspeitos de vazar informações sobre operações policiais para lideranças criminosas.
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Segurança: Devido ao teor sensível das investigações, o esquema de segurança em torno dos membros da CPI foi reforçado após ameaças reportadas ao Departamento de Polícia Legislativa (Depol).
A prorrogação da CPI pode trazer à tona nomes de peso envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro.
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