Proposta busca individualizar condutas e evitar penas consideradas “desproporcionais” pela oposição; projeto gera embate direto com as decisões do STF.
BRASÍLIA – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pautou para esta semana o debate em torno do chamado “PL da Dosimetria”. O Projeto de Lei visa estabelecer critérios rígidos e escalonados para as penas aplicadas aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro, sob o argumento de que as condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — que chegaram a 17 anos de prisão em alguns casos — ferem o princípio da proporcionalidade.
Os Pilares da Proposta
O texto, articulado pela bancada de oposição e setores do centro, propõe que a punição seja estritamente vinculada ao dano efetivamente causado por cada indivíduo, separando manifestantes de vândalos e financiadores.
As principais mudanças sugeridas são:
-
Individualização da Conduta: Proibição de penas coletivas ou genéricas. O Ministério Público precisaria provar o ato específico de destruição de cada réu.
-
Teto para Crimes de Dano: Limitação das penas para crimes de patrimônio, impedindo que se somem a crimes de “golpe de Estado” quando não houver uso de armas ou violência contra pessoas.
-
Regime de Cumprimento: Facilitação da progressão de regime para réus primários e sem antecedentes criminais que participaram apenas das invasões, sem depredação comprovada.
O Embate com o Judiciário
Juristas alinhados ao governo e ministros do STF veem o projeto como uma tentativa de “anistia disfarçada”. Para os críticos, o PL tenta esvaziar a competência da Suprema Corte e minimizar a gravidade da tentativa de ruptura democrática.
“Não se trata de impunidade, mas de justiça. Não podemos aceitar que uma pessoa que apenas entrou em um prédio público receba a mesma pena de um homicida ou de um terrorista armado”, defendeu um dos relatores do projeto na CCJ.
Cenário Político
O Palácio do Planalto monitora a votação com preocupação, temendo que a aprovação do PL enfraqueça o discurso de “defesa da democracia”. Por outro lado, a oposição vê no projeto uma forma de dar uma resposta política às famílias dos detidos e corrigir o que chamam de “excessos judiciais”.
Bastidores do Poder (06/04/2026)
-
Votação na CCJ: A expectativa é de um pedido de vista (adiamento) por parte da base governista, o que pode atrasar a votação por mais uma semana.
-
Mobilização: Grupos de apoio aos detidos organizam vigílias em Brasília para pressionar os parlamentares a aprovarem o texto ainda este mês.
O “PL da Dosimetria” é visto como uma alternativa política à Anistia, que enfrenta maior resistência jurídica.
LEIA TAMBÉM
Valmir de Francisquinho garante passagem a R$ 3 na Grande Aracaju e defende legado em Itabaiana
16 de setMPSE leva Ouvidoria Itinerante a mercados de Aracaju e atende público
16 de setEleitorado acima de 70 anos ultrapassa 157 mil em Sergipe para as Eleições 2026
15 de setReceba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

