A Revo encomendou US$ 250 milhões em 50 aeronaves elétricas da Eve (Embraer) para substituir helicópteros em São Paulo. A mudança aposta em 'carros voadores' e antecipa expansão a novas cidades.
A Revo, empresa de transporte aéreo urbano que atua em São Paulo, anunciou uma encomenda de US$ 250 milhões para a aquisição de 50 aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da Eve, subsidiária da Embraer. Essa iniciativa representa uma mudança significativa na tecnologia utilizada pela companhia, que atualmente opera com helicópteros na capital paulista.
Os eVTOLs, frequentemente referidos como ‘carros voadores’, foram apresentados como uma evolução em relação aos helicópteros tradicionais. Durante uma entrevista ao programa ‘É Negócio’, o CEO da Revo, João Welsh, destacou as vantagens do equipamento elétrico para o ambiente urbano.
‘O eVTOL tem características muito diferentes do helicóptero, começando por ser elétrico, e isso traz vários benefícios para o meio urbano, começando pelo ruído, a parte do silêncio, a emissão de gases, como podemos trazer aqui uma solução que ajuda a saúde pública’
Welsh também mencionou que o custo operacional do eVTOL será significativamente mais baixo, o que deve ampliar o acesso ao serviço. A previsão é que, a médio e longo prazo, a empresa consiga reduzir em cerca de 30% os custos operacionais em comparação aos helicópteros. No entanto, ele ressaltou que esses benefícios não serão imediatos, uma vez que a introdução de novas tecnologias envolve custos.
Em relação à operação comercial, Welsh explicou que a Eve já está em fase de testes e certificação com um protótipo em voo.
‘No momento em que nós assinamos o contrato, a Eve da Embraer já tem informação suficiente para chegarmos aos custos operacionais’
O contrato já abrange os principais custos de manutenção, permitindo à Revo projetar os valores das operações futuras. A adaptação da equipe também é um fator importante nessa transição. Welsh afirmou que, devido às diferenças entre o eVTOL e o helicóptero, a empresa iniciou um treinamento para os pilotos, utilizando simuladores para preparar os profissionais.
‘Ao longo dos próximos 18, 24 meses, nós vamos continuar treinando pilotos, mecânicos, para que no momento da entrega da primeira unidade já exista uma equipe treinada para começar os primeiros voos de teste’
A Revo, que opera em São Paulo há três anos, está analisando a expansão para outras cidades, com o Rio de Janeiro e o estado de Goiás como potenciais mercados. Welsh ressaltou que cada local possui características e necessidades específicas, e o modelo não será uma reprodução exata do que funciona em São Paulo, mas algo adaptado às demandas locais.
Após três anos de operação, a empresa identificou um perfil diversificado de clientes, que varia de jovens executivos a famílias de alto patrimônio. As motivações para o uso do serviço também são variadas, incluindo a busca por evitar o estresse do trânsito, otimizar o tempo ou apenas desfrutar da experiência de sobrevoar a cidade. Welsh destacou que o diferencial da Revo em relação às empresas tradicionais de fretamento está no cuidado com a jornada completa do passageiro, oferecendo um serviço de concierge personalizado desde a saída de casa até a chegada ao avião. Além disso, o modelo permite a compra de assentos individuais, sem a necessidade de fretar a aeronave inteira. Atualmente, a Revo opera cerca de 10 helipontos em São Paulo, com cinco pontos fixos de rotas regulares e planos de expansão para regiões como Alphaville e o sul da cidade.
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