Pelos caminhos da História: 200 anos da emancipação política de Sergipe.

Por Carlos Braz

Carlos Braz, 02 de Fevereiro, 2020 - Atualizado em 02 de Fevereiro, 2020

PELOS CAMINHOS DA HISTÓRIA: 200 ANOS DA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE SERGIPE

 Por Carlos Braz 

No próximo dia 8 de julho de 2020 nós sergipanos comemoraremos a data máxima de nossa história: o calendário marca o dia em que nos livramos das amarras que nos prendiam econômica e politicamente à metrópole baiana. A independência da capitania de Sergipe é o desfecho de um processo histórico de longa duração durante o qual construímos uma identidade própria nos diferenciando dos co-irmãos baianos.

 Pouco conhecemos sobre nossa própria história, e esse certamente é um momento adequado para explorá-la, revelando aspectos importantes desse embate de ideias e interesses, bem como enaltecer os personagens e analisar os fatos que contribuíram efetivamente para a formação do povo sergipano.

A história nos mostra que a separação entre as duas províncias não foi pacífica e em comum acordo; muitos eram as divergencias e questões que estavam em jogo, e mesmo decorridos dois séculos do acontecimento histórico, certas querelas ainda são debatidas, principalmente no tocante as perdas territoriais sergipanas decorrentes do conflito separatista.

É consenso entre os estudiosos sobre a emancipação que a mesma ocorreu devido o crescimento da atividade pecuária na capitania de Sergipe e que esse fato foi a mola propulsora de todo o processo. É farta a documentação contendo registros que confirmam o nosso poderio regional na produção de carne bovina, daí a alcunha de terra dos currais. O comércio de gado e seus derivados, estabelecido nas terras mais altas foi a principal atividade econômica até o surgimento do plantio da cana de açúcar. 

Aos poucos aqueles pioneiros que aqui se estabeleceram, enfrentando imensas dificuldades e correndo risco de vida foram imbuídos por um sentimento de pertencimento, que os impeliu a lutarem por seus ideais e interesses, distintos da metrópole baiana, dominada por comerciantes portugueses sedentos de lucro e latifundiários poderosos e beligerantes.

Os relatos dos historiadores sergipanos não deixam dúvidas quanto ao clima belicoso entre os dois vizinhos, iniciados em meados da segunda metade do século XVII, e que culminaram com a Carta Régia datada de 8 de julho de 1820, assinada pelo Rei de Portugal D. João VI.

A independência da Capitania de Sergipe não ocorreu com a aprovação unanime dos nossos conterrâneos. Alguns políticos, empresários e latifundiários, se posicionaram contrários à cisão, colocando interesses pessoais acima dos coletivos.  As contendas pelo poder político e financeiro entre as duas capitanias não encerrou-se mesmo diante do decreto real que nomeou como primeiro governador de Sergipe Carlos César Burlamaqui, empossado em 20 de janeiro de 1821 e destituído em 18 de março do mesmo ano por tropas militares vindas da Bahia, que contaram, em solo sergipano, com o apoio do major Guilherme José Nabuco de Araújo, comandante da Legião de Santa Luzia.

Naquele momento, as lideranças das principais cidades de Sergipe posicionaram-se a favor da investida baiana e surpreendentemente apoiaram a posse no cargo de governador do brigadeiro sergipano Pedro Vieira de Melo, favorável à subordinação ao governo da Bahia.

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