POBREZA RURAL NO BRASIL por Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo

Manoel Moacir, 31 de Março, 2023 - Atualizado em 31 de Março, 2023

 

Foto: Pinterest 

 


De um lado, destaque à pujante produção agropecuária brasileira de mais de trezentos milhões de toneladas na atual safra de grãos, do outro a persistente fome de trinta milhões de brasileiros e brasileiras, e mais de cem milhões em insegurança alimentar. Um em quatro nacionais vivem na pobreza no meio rural, notadamente nas regiões Norte e Nordeste. Três mil famílias de agricultoressobrevivem em mais de três mil estabelecimentos agropecuários à margem da inovação tecnológica. Conjunção de fatores que contribuem para baixa produtividade, deficiente conectividade, falta de água potável, de energia elétrica e dificuldade de acesso aos mercados para comercialização de excedentes.

Estudos recentes demonstram que a majoritáriaexclusão dos agricultores dos ganhos de produtividade são decorrentes em maior monta, da carência de inovação tecnológica. Mais de 90% dos estabelecimentos agropecuários respondem por menos de 15% da produção agrícola, sendo 75% de produtores familiares, concentrados no Nordeste. Na dimensão da renda, quatro grupos de agricultoressão destacados: extrema e baixa pobreza, e média e alta renda. Nessa contingência, políticas assistencialistas estatais são requeridas aos agricultores na pobreza. Aos de baixa e média rendas, mitigação de políticas econômicas e assistencialista e os de alta renda, políticas de crédito, seguro e infraestrutura, em acordo com as leis do mercado.

Cuidar dos vulneráveis no campo e na cidade é dever do Estado. Condicionantes sociais, culturais e históricos devem merecer similar proteção e apoio. Na competição capitalista, essas variáveis não são prioridades na equação do lucro e da acumulação. A pobreza rural exige especificidades para incorporar a diversidade social, antropológica, histórica e econômica existente no meio rural. Algumas são conhecidas e devem ser atualizadas em acordo com a realidade das atuais agriculturas. Assistência técnica e extensão rural universais, crédito, seguro, agroindústria e agregação de valor aos produtos in natura. Não são dispêndios, mas investimentos com as pessoas com retornos previsíveis no curto prazo. Louvor ao PPA - Programa de Aquisição de Alimentos, com ênfase na agricultura familiar e no desenvolvimento local.

Outras vertentes de políticas públicas são requeridas com urgência para incluir, no tempo devido os agricultores excluídos. Ciência e tecnologia para os processos produtivos nas diversas agriculturas. Estruturação produtiva em acordo às especificidades culturais, produtivas e sociais. Atenção às dificuldades de integração e articulação das ações políticas, na perspectiva de um ambiente de complementariedade e fortalecimento dos resultados obtidos e, por consequência, da melhoria das condições de vida no meio rural.

A inclusão de uma massa de agricultores pobresno meio rural desafia o Estado brasileiro. A herança colonial milenar acumulou uma abismal desigualdade de riqueza, terra, bens materiais, culturais e conhecimento. Uma larga distância afasta os de cima, dos de baixo. Também merecem cuidado e proteção os assalariados rurais, parcela expressiva da população do campo, com trajetórias marcadas por condições precárias de trabalho e baixo nível educacional e por consequência, a melhoria das condições de vida no meio rural brasileiro.

Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo, são engenheiros agrônomos.

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