CIÊNCIA AGRÍCOLA E SEGURANÇA ALIMENTAR (IV) por Pedro Abel Vieira & Manoel Moacir Costa Macêdo

Manoel Moacir, 05 de Maio, 2023 - Atualizado em 05 de Maio, 2023

 

Foto: Google 

 


Na década de 1960, a produção de alimentos per capita global aumentou a uma taxa média anual de 0,48%. Nesse tempo, a produção agrícola estava lastreada na expansão da fronteira agrícola na ordem de 0,24% ao ano. Posteriormente, na década de 1970, o crescimento foi de 0,25% e na de 1980 de 0,14% ao ano respectivamente. A produção de alimentos per capita aumentou em linha com a expansão da fronteira agrícola que foi respectivamente de 0,20 e 0,32% ao ano.

Na década de 1990, o aumento cresceu para 0,65% ao ano per capita, a despeito da redução na expansão da fronteira agrícola, de 0,19% ao ano, chegando ao ápice em termos de crescimento na década 2000, de 0,88% ao ano, período em que a fronteira agrícola reduziu em -0,14% ao ano. Na década recente, apesar de uma nova redução na área agrícola, de -0,16% ao ano, aumentou em 0,35% anual a produção de alimentos per capita, com destaque para produção global de commoditiesagrícolas a uma taxa média de 1,9% ao ano. Importante destacar que a partir da década de 1990, o crescimento da PTF – Produtividade Total dos Fatores, foi devido às inovações e consequentemente à maior parcela do aumento da produção agrícola mundial.

Nos anos sessenta as externalidades não eram contabilizadas como na atualidade. O foco era a produção linear dos produtos agrícolas. Os biomas brasileiros não ficaram imunes à intervenção humana na produção agrícola. Por exemplo, a produção agrícola na Caatinga, bioma genuinamente brasileiro, de início contribuiu para aliviar a pobreza na região. Um modo de produzir exigente em tecnologia intensiva em capital e dependente de água. O avanço da agricultura na Caatinga, causou externalidades ambientais e não aliviou significativamente a pobreza. A produção agrícola dependente de chuva se manteve praticamente na marginalidade, intensificando o caráter predatório do meio ambiente.

A produção agrícola nos biomas, não seguiu a vocação natural e histórica, mas conflitante entre produzir e preservar. É necessário, que a ciência agrícola apresente um modelo adequado de agricultura para os variados biomas brasileiros, na perspectiva de sustentabilidade. A ciência agrícola peleja em prospectar soluções para enfrentar os desafios postos pela mudança climática. Realça um descompasso entre o avanço do conhecimento e a urgente demanda social e ambiental.  A desigualdade é um problema a ser enfrentado. Cada bioma, com suas características específicas, apresenta questões peculiares à sua região e às criaturas que neles vivem e trabalham. O impacto causado em uma dimensão repercute nas outras. Ações fragmentadas não são eficazes na formulação de programas, políticas e iniciativas, visando o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira.

Por outro lado, a insegurança alimentar, expressa nas dietas alimentares estão longe de serem saudáveis e não melhoraram na última década. A ingestão de frutas e vegetais está 50% abaixo do considerado saudável e o consumo de leguminosas e nozes está mais de dois terços abaixo das duas porções recomendadas por pessoa e por dia. O consumo de alimentos processados chegou a quase cinco vezes o máximo recomendável de uma porção por pessoa e por semana, enquanto o consumo de bebidas açucaradas, que não são recomendadas em nenhuma quantidade, está aumentando. Os países pobres continuam com uma menor ingestão de alimentos essenciais à saúde, como frutas e vegetais, e os mais ricos com o maior consumo de alimentos, mas com alto impacto na saúde e no meio ambiente,

Recado dado à ciência agrícola: gerar conhecimento para recuperar e preservar os biomas, produzir alimentos saudáveis, uso eficiente e sustentável dos recursos naturais e serviços ambientais e ecossistêmicos. A inovação como o farol da agricultura sustentável nos biomas brasileiros.

 

Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo, são engenheiros agrônomos.

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