A MULHER NO SÉCULO XXI: lutas, conquistas, espaços e educação

Coluna Papo de Pedagogo, 12 de Março, 2023 - Atualizado em 12 de Março, 2023

O mês de março é recheado de eventos alusivos ao Dia Internacional da Mulher, e a data 08/03 tornou-se um marco no século 20, após uma série de manifestações de mulheres por melhores condições de trabalho, que duraram anos. Desta forma, comemora-se as conquistas por direitos e espaços, que para muitos pode parecer simples e banal, mas que foram alcançadas através de muitas lutas, como por exemplo o lançamento da declaração dos direitos da mulher e da cidadã (1971), direito de votar (1932), criação da pílula anticoncepcional (1961), estatuto da mulher casada (1962), lei do divorcio (1977), criação das leis Maria da Penha (2006) e do feminicídio (2015), entre outros ganhos.

Além da diminuição de práticas que perpetuam o preconceito e o machismo, o dia 08 de março, nos traz a oportunidade para desconstruir ideias, refletir e estimular atitudes que construam e sensibilizem uma sociedade com mais equidade de gênero.

Ainda há um longo caminho para uma sociedade em que as disparidades de gênero deixem de existir e para uma sociedade em que mulheres não precisem se revestir de capas, para se igualar ao “poder da imagem masculina”, por muitas vezes fugindo da sua essência, para conseguir alcançar cargos. Por mais que muitas fechem os olhos, isso é real, e precisamos desconstruir esses estereótipos.

A fala da jornalista e apresentadora Sandra Annenberg em um programa televisivo essa semana, retrata bem essa realidade, quando ela diz “como toda mulher que esta começando tinha os meus medos, sofri assédio, assédio moral, assédio sexual, a gente sofre isso pelo caminho, pela vida inteira, e eu me lembro que quando eu comecei a trabalhar, eu falava muito palavrão, [...]porque a gente tinha que se igualar ao homem, porque a gente tinha que falar como ele falava, porque a gente tinha que ser respeitada, e para ser respeitada, a gente precisava se impor dessa maneira”

Quanta e quantas Sandras pelo caminho, quando a gente ouve que “fulana” não é uma pessoa ruim, ela precisa vestir essa capa no ambiente de trabalho, para que as pessoas não abusem e faltem com respeito, e isso é muito forte, principalmente com as mulheres. Já pararam para perceber que o líder homem é o líder homem, mas a mulher líder quando precisa se impor para “se enquadrar” ela é desumana e fria, já quando lidera com o coração, não serve para liderar porque não tem pulso e não irão respeitar. Infelizmente isso é uma constante.

A mulher de hoje, em um país em desenvolvimento, certamente tem um futuro com mais oportunidades do que tiveram nossas mães e avós, mas precisamos avanças muito mais, pois os fatores que contribuem para que as mulheres sigam em desvantagem não podem ser vistos de forma isolada.

Se  pararmos para refletir, o quanto e há quanto tempo a mulher é considerada “sexo frágil” e de pouca habilidade para assumir espaços, que até hoje os homens dominam, perceberemos que isso é muito mais amplo e complexo do que iamginamos. Por exemplo em algumas religiões, onde somente homens podem  presidir uma missa, ter acesso a carros e boas moradias, e em outras congregações, mulheres não podem ser consideradas pastoras. Percebem o quanto isso é amplo? O objetivo não é questionar as atitudes das religiões, mas trazer a reflexão do quanto as mulheres tem sempre ocupado um lugar de ocultação. Isso é notório na ocupação de grandes cargos, nas diferenças salariais, nos esportes e nos relacionamentos afetivos entre homem e mulher, onde “ele é homem, é tudo igual e por muitas vezes a mulher tem que aceitar” a falta de respeito e submissão.

 

Educação, profissão e negócios

 

Sobre profissões e esforços para investir em estudos e buscar melhores salários, é necessário enfatizar que mais da metade dos diplomas de curso superior no Brasil são de mulheres, e ainda assim, elas recebem menos que os homens, ocupam menos cargos de chefia, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, e muitas ainda precisam gastar mais com roupas, cabelos, beleza e estética, para se encaixar na “boa imagem” da mulher de poder.

Segundo o jornal Estadão “Menos de 4% das empresas do Ibovespa, têm mulheres CEOs ou à frente do conselho.[...] Dois é o número de mulheres que lideram as principais empresas de capital aberto do País. Três é o número de mulheres que comandam conselhos de administração dessas companhias.[...] Entre as empresas com menor desigualdade de gênero no conselho de administração estão a empresa de tecnologia Totvs (com 43% de participação feminina), a varejista Magazine Luiza (37,5% e o Banco do Brasil (37,5%).”

Dados do Instituto Ethos de 2015 mostram que, entre as 500 maiores empresas do País, a participação feminina entre aprendizes e estagiários era de 55,9% e 58,9. Mas esses números vão caindo até chegar a 31,3% nas posições gerenciais e de 13,6% nas diretorias executivas. Isso ocorre apesar de o nível de instrução das mulheres ser superior ao dos homens, tanto em 2015 quando feita a pesquisa do Instituto Ethios, como nos dias atuais, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - Inep.

No atual governo, temos 11 ministérios comandados por mulheres, e isso é algo bastante significativo, porém é preciso ter em mente que ainda há muito a ser conquistado. Para se ter uma ideia do cenário machista que convivemos, somente em 2010 foram construídos banheiros para mulheres no senado, até então os banheiros eram unissex, e não se pensava nisso, por se tratar de um ambiente onde os espaços para as mulheres eram/são escassos.

A mulher precisa ter voz, a mulher precisa ter vez. E pior que uma sociedade machista, são mulheres com posicionamentos machistas, que aceitam e sugerem que mulheres aceitem o que é “imposto” pela sociedade.

 

Dayse Xavier de Santana

Consultora Especialista em Gestão e Educação

Rita de Cassia Cardoso

Mestre em Educação

 

 

Referências
Fonte: Agência Câmara de Notícias (acessado em 10/03/2023).
Leia mais em: https://capricho.abril.com.br/comportamento/15-profissoes-machistas-ainda-dominadas-por-homens/ (acessado em 08/03/2023).
O espaço é delas: mulheres que atuam em profissões com maioria masculina relatam desafios (correiobraziliense.com.br) (acessado em 08/03/2023).
Menos de 4% das empresas do Ibovespa têm mulheres CEOs ou à frente do conselho - Infográficos - Estadão (estadao.com.br), de 25 de maio de 2022. (acessado em 09/03/2023).

 

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