FAIXAS ETÁRIAS.

José de Almeida Bispo, 14 de Julho, 2023 - Atualizado em 14 de Julho, 2023

Na última segunda-feira, 10, necessitei resolver um assunto, de forma tradicional, “falando com gente”, na única agência bancária em que forçosamente eu tenho conta.
Depois de quarenta e um anos de trabalho “fichado”, e mais quatro de aposentado, e ainda vivendo num país e época em que até para se espirrar se torna necessário a presença de um banco, não há alternativa, além de “ter um sinal da besta” (Apo, 13, 16). Lá me fui.
Ao chegar à agência bancária, de atendimento popular, dei de cara com sua indefectível fila quilométrica.
Em geral, as filas que pego têm no máximo quatro pessoas, já que filas de caixa eletrônico; mas, como dito, dessa vez foi um serviço cara-a-cara; e tive que pegar senha para o atendimento.
A fila normal para a senha, como sobredito, quilométrica; porém, com mais de 60 anos, eu já entrei na fase de outra fila, que espero, meu “atendimento” só ocorra em mais quarenta anos para a frente. Tomara! Tomei a fila dos idosos, bem mais civilizada e menos humilhante.
Detesto filas. Quando no emprego, tanto nos quatro anos em que passei nos Correios, quanto nos outros, na extinta Fundação SESP, uma das funções era atender gente. E sempre ficava nervoso quando se acumulavam pessoas, por cinco e até quinze minutos na espera.
De certo modo sou como um conhecido homem público itabaianense que, ao retornar formado, de faculdade, em Salvador, foi inquirido pelo também amigo, o advogado João de Oliveira, popular João de Benício, do porquê de ter retornado, quando o mercado de trabalho por lá era bem mais atrativo que em Sergipe; ao que ele respondeu que detestava fila de banco. Na Bahia ele seria apenas mais um engenheiro.
Bem, fui à fila e logo fui atendido.
Mas ficou uma constatação e uma pulga atrás da orelha.
Como banqueiro detesta pagar alguma coisa, por quanto tempo a agiotagem vai permitir que saudáveis senhores da “terceira idade” continuem com esses privilégios?
Em 1980, antes da cidadania plena brasileira, pela Constituição Federal de 1988, Itabaiana tinha 2.111 pessoas de 60-69 anos (4,0%); 1.126 de 70-79 (2,1%) e 385 de mais de 80 (0,7%), numa população total de 52.601 habitantes. Em 2010, para uma população total de 86.967, eram 4.400 de 60-69(5,06 %); 2.358 de 70-79 (2,71 %) e 1.272 de mais 80 (1,41 %). Para a população encontrada em 2022, ainda sem os números finais, porém a projeção é de 6.845 pessoas entre de 60-69 anos de idade (6,62 %); 3.764 de 70-79 (3,64 %); e 1.644 de mais de 80 (1,59 %) nos já consolidados 103.439 habitantes do Censo de 2022. Aumentos, respectivamente de 2,62, 1,63 e 0,9, totalizando 5,15%, sobre o apurado em 1980.
A população, portanto, continuará a envelhecer cada vez mais.
Como jamais banqueiro vai melhorar atendimento a idosos, disponibilizando mais pessoal - uma heresia, no credo da agiotagem - a tendência é de que as filas aumentem. Ou que pelo menos aumentem a idade mínima para ser considerado “idoso”.
Aposto que a agiotagem de gravata propugnará o meio termo: aumento das filas, depois de aprovarem leis aumentando o status de idoso para mais de 70.

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