E-books e audiobooks entregam o mesmo conteúdo, mas ativam o cérebro de maneiras diferentes. Segundo um especialista em psicologia e neurociência, a eficácia de cada formato varia conforme o objetivo da leitura, o nível de atenção e o contexto de uso.
Nos últimos anos, os livros passaram a ser oferecidos em novos formatos, populares pela praticidade de carregar uma biblioteca no bolso ou de acompanhar uma narração durante outras atividades. Ambos dão acesso ao mesmo texto, mas a forma como o cérebro processa cada experiência pode ser diferente, sobretudo no que diz respeito à concentração.
De acordo com o especialista, não há um formato que se destaque como vencedor absoluto. A escolha entre e-book e audiobook depende de fatores como o tipo de conteúdo, o ambiente e as características individuais de cada leitor.
A principal diferença está na maneira como a informação entra no cérebro. Nos e-books, a leitura estimula inicialmente as áreas visuais responsáveis pelo reconhecimento de letras e palavras. Já os audiobooks ativam primeiro as regiões auditivas e as ligadas à compreensão da fala. Apesar desse início distinto, os dois formatos convergem nas redes cerebrais responsáveis pela interpretação e pela construção de significado.
Quando lemos um e-book, a informação entra inicialmente pelas áreas visuais. No audiobook, a entrada acontece pelas áreas auditivas e pelas regiões ligadas à compreensão.
Os livros físicos apresentam uma vantagem adicional pela experiência tátil. Folhear as páginas e lembrar a localização de determinados trechos ajuda a organizar as informações e favorece a memória, efeito menos pronunciado nos formatos digitais.
O que funciona para cada tipo de leitura
Pesquisas indicam que a eficácia de cada formato varia conforme o tipo de leitura. Em histórias mais lineares, como romances e biografias, ler e ouvir tendem a resultar em compreensão semelhante. Já em textos que exigem análise, reflexão ou recuperação de detalhes, a leitura costuma se sobressair.
Quem lê pode diminuir o ritmo, voltar algumas linhas, parar para pensar ou fazer uma anotação. No áudio, se a atenção escapa por alguns segundos, a história continua andando sem esperar.
Os e-books tendem a ser mais eficazes para textos acadêmicos e filosóficos, enquanto os audiobooks são uma boa opção para narrativas mais leves. O dispositivo também pesa: um e-reader, sem notificações constantes, favorece mais a concentração do que um celular cheio de interrupções.
Não existe um formato ideal que sirva para todos. A escolha é influenciada por idade, experiência, saúde e rotina. Crianças em fase de aprendizado, por exemplo, podem se beneficiar de uma história narrada em áudio, ainda que a prática da leitura seja essencial para o desenvolvimento. O especialista acrescenta que o estado emocional também interfere.
A ansiedade interfere porque preocupações e pensamentos recorrentes ocupam parte dos recursos necessários para acompanhar o conteúdo.
Ouvir audiobooks durante tarefas domésticas ou deslocamentos pode ser proveitoso, desde que a atividade paralela não exija muita atenção. Já tarefas que envolvem decisões rápidas comprometem a assimilação do conteúdo.
Não há, portanto, um formato universalmente superior para a concentração. Os dois garantem boa compreensão, com vantagens que dependem do contexto: para estudar ou analisar textos complexos, o e-book costuma ser mais eficaz; para aproveitar narrativas durante deslocamentos, o audiobook tende a ser mais prático.
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