FOME E DESIGUALDADE NO BRASIL (I) por Manoel Moacir Costa Macêdo & Pedro Abel Vieira

Manoel Moacir, 09 de Junho, 2023 - Atualizado em 09 de Junho, 2023

Entre as contradições da sociedade capitalista, realçam as sociais e econômicas. Uma das mais evidentes é a divisão por classes sociais. Umaclasse, concentra o capital, a outra, o trabalho. No caso da agricultura, os proprietários de terra e os trabalhadores rurais.

Na produção agrícola brasileira, essas distinções são históricas e evidentes. Safras recordes de grãos a cada ano, a exemplo da atual de mais de trezentos toneladas de grãos e a insegurança alimentar de quase metade da população e trinta milhões de brasileiros e brasileiras em fome aguda. A riqueza do agronegócio brasileiro e a pobreza dos trabalhadores rurais. O Brasil em breve será o maior exportador de alimentos do planeta, a exemplo dos grãos e carnes. Mais de uma centena de países e um bilhão de pessoas consomem a comida produzida em nosso país.

Situação de difícil entendimento no senso comum dos brasileiros e brasileiras. De um lado, o Brasil, potência econômica mundial, posicionado entre os treze maiores produtos internos brutos do planeta, relevante produtor e exportador de commodities agrícolas no mercado global e do outro, a fome aguda de mais de trinta milhões de conterrâneos e uma concentração de renda entre as maiores do mundo.

A resposta é simples e não exige conhecimentos complexos. Ela compõe a receita do sistema capitalista. A acumulação de riqueza. Os ganhos em escala da classe proprietária dos meios de produção e desemprego e salários aviltados dos trabalhadores. Em consequência a abismal desigualdade entre os situados na base e no topo da pirâmide de distribuição de renda.

Essa realidade, não é uma exclusividade do Brasil, ela é majoritária no contexto das Nações. Assim, estão a maioria os países do mundo tropical e do hemisfério Sul. África e Ásia são os continentes que concentram a maior parcela da população faminta do mundo. Uma situação que não é determinista e nem divina. Ela tem solução. O Brasil,pela execução de políticas públicas de distribuição de renda, a exemplo do amento real do salário mínimo e de renda-mínima, escapou do Mapa da Fome, elaborado pela FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, em 2014. Estratégias de segurança alimentar e nutricionais foram aplicadas desde os meados da década de noventa. Entretanto, em face de suadescontinuidade, retornou ao cenário da fome após 2015, com agravamento ao longo da pandemia de Covid-19.

No Brasil, a fome afeta mais de 15% de suapopulação, com destaque às regiões Norte e Nordeste, onde cerca de 40% das famílias apresentam insegurança alimentar grave ou moderada. A equação da fome no Brasil, não é recente, carrega a histórica escravidão e políticas públicas deficientes de educação, saúde, emprego e renda. A fome no Brasil é estrutural e está associadaà eternização de um emaranhado de subvenções, subsídios, imunidades, isenções e benefícios que não estão vinculados ao combate da pobreza, mas à acumulação das minoritárias classes sociais.

As soluções são conhecidas, mas, de difícil execução, em face das resistências em distribuir, ao invés de acumular, próprias do capitalismo. Importante afirmar, que as soluções, não estão apenas em mãos do Estado, mas do conjunto dosatores públicos, privados, do terceiro setor e de organizações não-governamentais, ao menos emduas vertentes: o combate emergencial à fome, com políticas compensatórias, algumas em curso, e investimentos sustentáveis e distributivistas com ênfase na geração de emprego e renda. Uma evidência é incontestável: existe fome, onde existe extrema desigualdade.

 

 

Foto: Manoel Moacir Macêdo

 

Por: Manoel Moacir Costa Macêdo e Pedro Abel Vieira, são engenheiros agrônomos

 

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