FOME E DESIGUALDADE NO BRASIL (V) Manoel Moacir Costa Macêdo & Pedro Abel Vieira

Manoel Moacir, 07 de Julho, 2023 - Atualizado em 07 de Julho, 2023

 

Foto: ilustrativa

 

 

O Brasil é um dos raros países do planeta com recursos naturais suficientes para produzir comida para os seus nacionais e exportar excedentes para o mundo. Não é redundante repetir a disponibilidade de sessenta milhões de hectares que podem ser incorporados à produção, sustentar o crescimento e não desmatar novas áreas. A mesma quantidade de terra em produção agropecuária. Não se trata de futurologia, mas de projeções concretas. Inexoravelmente seremos o maior produtor e exportador mundial de commodities agrícolas.

Além da abundância de recursos naturais, a exemplo de terra e água, o Brasil dispõe de energia limpa, baseada na hidrologia, riqueza solar tropical e potencial eólico. Dispõe de biomas e biodiversidade estratégica. Realidade concreta e positivista. Um exemplo, é o caso da cultura do milho, alimento e commodity num só tempo. Na região Nordeste, onde 40% da população está em insegurança alimentar, existe a ímpar possibilidade de três colheitas anuaisdesse cultivo.

Afora às potencialidades naturais à produção agropecuária, o Brasil dispõe de potencial mercado consumidor com a demanda reprimida. O crédito para o financiamento das safras agrícolas tem sido suficiente à demanda dos grandes tomadores.Também dispõe de suporte de tecnologia e inovação, liderada há meio século pela EMBRAPA -Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.Vitoriosa história organizacional, que carece de ajustes no seu mister institucional para suportar àsdemandas das diversas agriculturas, do meio ambiente e de consumidores exigentes desse novo tempo.

As evidências revelam a necessidade de uma nova trajetória tecnológica para à produção agropecuária brasileira, que privilegie a diversidadedos fatores de produção às diversas agriculturas. Não existe acolhimento do linear produtivismo, agressão aos ecossistemas, contaminação do meio ambiente e dos alimentos e trabalho análogo à escravidão. Tempo de mudança de paradigma.

Nessa contingência, é imoral para um País com tamanha grandeza, a convivência com a persistente fome e insegurança alimentar de brasileiras e brasileiros. Esses constrangimentos ferem os valores humanistas da civilização. Não é natural o acolhimento da chaga mortal da fome num Paíspredominantemente cristão, que exporta comida para o mundo e despreza os seus naturais. Isso não é castigo e nem determinismo divino, mas pecado humano.

As condições da natureza à produção agropecuária estão garantidas. Os fatores de produção estão disponíveis. Os potenciais consumidores demandam alimento. Faltam as intervenções do Estado, como a organização mais relevante da sociedade para equilibrar as relaçõesentre produção, distribuição e consumo. Apenas o Estado agrega de maneira exclusiva os poderes para interferir no viver das criaturas.  

O necessário e urgente são políticas públicas que possibilitem, de um lado a incorporação dos agricultores pobres à produção, consumo e comercialização de excedentes. Do outro, emprego e renda para uma massa de vulneráveis nas cidades, desprotegidos de seguridade social e de recursos, para comprar comida suficiente, seguindo os padrões das dietas apropriadas.

Não são ações impossíveis, mas viáveis, algumas delas executadas com êxito no passado recente. Elas exigem pressa e adequações nodevido tempo e espaço, pois “a longo prazo, estaremos todos mortos”.

 

 

Foto: Manoel Moacir Macedo

 

Manoel Moacir Costa Macêdo e Pedro Abel Vieira, são engenheiros agrônomos

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