AGRICULTURA BRASILEIRA E GEOPOLITICA MUNDIAL [II] Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo

Manoel Moacir, 22 de Setembro, 2023 - Atualizado em 22 de Setembro, 2023

 


Fome e mudança climática. Alimento e meio ambiente. A pauta da humanidade. Fenômenos visíveis aos comuns. Constrangimentos e soluçõespossíveis, necessárias e urgentes. Enchentes, aquecimento global, desmatamento, ciclones, secas, áreas degradadas e as recorrentes tragédias. Não são pecados dos deuses, mas dos humanos. Não são castigos, mas consequências de um padrão antropocêntrico, consumista e acumulador, quecoloca a natureza em plano secundário.

O Brasil “bonito por natureza, coração do mundo e pátria do evangelho” é um estratégico protagonistanessa pauta, internamente e na geopolítica mundial. Possuímos a vergonhosa fome, mas produzimos comida abundante para alimentar os nacionais e parcela expressiva da humanidade. Albergarmos a maior floresta tropical do planeta e com elabiodiversidade, rios de chuvas e água doce.

Os biomas emprestados do Cerrado, Pampa, Pantanal, Mata Atlântica, a genuína Caatinga e a cobiçada Amazônia, colocam o Brasil no topo da geopolítica mundial, em duas frentes: produção de comida e mudança climática. No caso da relevante e simbólica Amazônia, não se trata de adaptar o padrão da produção agropecuária vigente, mas, desenvolver específicos modelos agrícolas,respeitando os limites ambientais, sociais e históricos dos viventes nesse bioma. Tarefa de longo prazo, que requer ciência, humanismo, soberania e investimentos.

Uma pergunta é inexorável: o que fazer no curto prazo pata atender as expectativas locais e globais?A resposta está na mitigação de passivos ambientais do passado, em especial, a adequação produtiva das áreas degradadas, área superior à em uso produtivo

A recuperação da produtividade dessas áreas, emerge como um enorme desafio para ampliar a produção de alimentos de maneira sustentável, zerar o desmatamento e ainda ampliar às áreas de conservação ambiental. Estratégia para restaurar a capacidade produtiva do solo, com impacto positivonas emissões de gases de efeito estufa, conservação da biodiversidade e proteção dos recursos hídricos, entre outros serviços ambientais.

Na perspectiva da produção vis-à-vis àsustentabilidade ambiental, econômica e social na geopolítica, é imperativo o emprego de políticas sustentáveis nos processos produtivos.  Iniciar pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC),infraestrutura apropriada, respeito à história dos povos originários, e acompanhamento rigoroso dosimpactos ambientais e socioeconômicos.

Ao final, é indispensável a execução ainda no curto prazo de propostas objetivas, com metas, resultados e alocação de valores, para transformaras áreas degradadas em sistemas agrícolas sustentáveis, inclusive, com áreas exclusivas à preservação ambiental. Apenas o Brasil, possui esses mecanismos e em dupla via, a da produção e da preservação.


 

Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo, são engenheiros agrônomos

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