JÚBILEU DE OURO DOS ENGENHEIROS AGRÔNOMOS DA UFBA por Manoel Moacir Costa Macêdo

Manoel Moacir, 06 de Outubro, 2023 - Atualizado em 06 de Outubro, 2023



Foto: divulgação 


Faz cinquenta anos que entramos na Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia - EAUFBA. Ano de 1973. Única faculdade apartada dos campii de Salvador, capital da Bahia, situada no campus de Cruz das Almas, recôncavo, massapê, engenhos, escravidão, bravura e arte.

Não foi uma tarefa fácil. Exigiu determinação e sacrifício. Êxito de poucos para época. Do interior à capital. Aventura para um jovem aos quinze anos, que jamais experimentou a cidade grande. Desafiose ansiedades. Tudo novo e perigoso, para os nascidos na modesta Rio Real, divisa gêmea entre a Bahia e Sergipe. Carecia de orientação, acolhimento e cuidados elementares no viver.

Primeiro, vencer o então exigente cursocientífico, após, a aprovação no temido vestibular. Tempo de ensino público de boa qualidade. A consciência material iluminou a rota da mobilidade social, pela única via, a da educação. Não estava em disputa a vocação profissional, mas a garantia de profissão e trabalho.  A universidade apesar de pública era seletiva e acessível aos bem-criados, alguns advindos da casa-grande e protegidos pelos privilégios da Lei do Boi -, reserva de vagas na universidade pública aos filhos de latifundiários.

Comemoramos o “Jubileu de Ouro” dessarelevante conquista. Cantou o poeta: “felicidade passei no vestibular”, mas, a faculdade era pública. Meio século passado. 1973 a 2023. Hoje, parece fácil, mas não foi. Em 1973, quase metade dapopulação brasileira era rural, com indicadores sofríveis de desenvolvimento. Doenças tropicais maltratavam a população. Expectativa de vida em torno dos cinquenta e seis anos. Ditadura militar. Restrições às representações estudantis. Liderançascastradas. Infiltrados. Governava o Brasil, o ditador, general Emílio Garrastazu Médici. Arbítrio e opressão. Oposto do desabrochar da juventude universitária. Protestou o poeta Caetano Veloso do recôncavo e reconvexo: “E eu digo não ao não. Eu digo: é proibido proibir”.

A vocação não era à agronomia, mas à advocacia, conquistada adiante. Reconhecia aincapacidade de aprovação no concorrido vestibulardo curso de direito. Não importava o curso, o imperativo era “entrar na universidade”. Entrei. Comemorações na minha aldeia, que cuido para se “tornar universal”. “Rio Real está comigo, onde quer que eu esteja”.

Estamos em festa. Encontros, abraços, conversas, recordações, afetos, comes e bebes.Profissionais amadurecidos e bem sucedidos. Pais, mães, avós e avôs. Dever cumprido. Atores da transformação da agricultura brasileira. Testemunhas de sua transformação para o setor estratégico do Brasil. Referência na geopolítica mundial. Estivemos, e alguns ainda estão, na pesquisa agrícola, ensino universitário, assistência técnica, extensão rural, fomento e empreendedorismo. Evidências dessa passagem vitoriosa registradas na memória do tempo. Exemplos não faltam.Contribuições substantivas no campo e cidade, rural e urbano, interior e capital, Brasil e exterior. Elas estão tatuadas nos anais da história.

Ao final, ensina o genial Charles Chaplin: “lute com determinação, abrace a vida com paixão, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito bela para ser insignificante”. Celebrações continuam e sem hora para terminar. [III Encontro de Engenheiros Agrônomos e Contemporâneos da EAUFBA de 1973. Salvador, 06 a 08 de outubro de 2023].

 

Manoel Moacir Costa Macêdo, é engenheiro agrônomo de 1973.

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