SER ITABAIANENSE É...

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 28 de Abril, 2023 - Atualizado em 28 de Abril, 2023

SER ITABAIANENSE É...

 

Quem chega a Itabaiana, à primeira vista, tem a impressão de estar chegando a um lugar onde houve grande bombardeio, e tudo está por se reconstruir. Há amontados de blocos, areia, ferragem por todos os recantos, em todas as ruas, travessas e praças. Um trânsito de veículos que, freneticamente vão e vêm sempre com suas caçambas abarrotadas de produtos da terra ou vindos de outras plagas. A cidade cresce vertiginosamente e vai, pouco a pouco, mostrando suas feições de Serrana Bela. Ser itabaianense é batalhar, inovar, reconstruir-se diuturnamente, apresentando a si e a outrem as novidades que fazem a vida sorrir e florescer. Viva a boa arquitetura!        

Quem participa, no comércio local, seja como empreendedor, seja como comerciário, ganha fama de “gente sabida”, que enriquece rápido, que sabe fazer boas transações e que se expande para outros rincões com a verve de se tornar referência no ramo. Em todos os segmentos, há pessoas de sucesso que se esmeram para o engrandecimento pessoal e social da gente ceboleira. Há empregados que se tornam patrões, sócios que passam a fazer carreira solo, gente que aprendeu no meio da feira, nas trocas, no mercado da carne ou nos “carregos” de feira das senhoras, aos sábados e quartas. Ser itabaianense é transitar em todas as esferas da vida, sempre com o olhar fixo na faina diária, como único meio lícito de vencer. É não desistir de sonhar e de realizar.

Quem vai à feira livre, nas madrugadas frias, chuvosas, ou de “quentura”, depara-se com pessoas que não dormem, que vivem a vagar, iluminando a vida, embalando os sonhos, encurtando as distâncias, atraindo notáveis produtos e os aproximando de seus clientes cativos. Vê gente disposta, sorridente, de fino trato, capaz de estender o tapete vermelho a cada “freguesa, muié, cumade, fia, madame”, termos alternadamente usados, a depender de quem se aproximar. Naquela escola técnica a céu aberto, formam-se os melhores negociadores do mundo, cuja tática é agradar; gente que sabe lidar com fiscais de tributo, com fiscal de feira, com fornecedores e clientes; gente que sabe expor seus produtos, com uma simetria inigualável, atraindo com os olhos a vasta e exigente clientela. Quem sabe bem comprar, bem sabe vender. Ser itabaianense é ser acolhedor, de brilhantes estratégias, cativador de clientes. É saber encantar, para fazer a conta. Viva a Feira!

Quem sai do perímetro urbano, tomando qualquer rodovia ou estrada vicinal, chega a algum sítio, onde o sol nasce mais cedo e se põe mais tarde, esticando a jornada de trabalho, tempo hábil a sulcar a mãe terra, alimentando-a com estercos e adubos, hidratando-a com água fresca e boa, para – em recompensa – retirar-lhe viçosas verduras, vistosos legumes, belíssimos cereais. Nas casas de farinha, existem reuniões de rapadores de mandioca, gente boa de braço para fazer deslizar o rodo de madeira seca sobre o forno de barro, que dá farinha fina, redonda, grossa, a depender da encomenda. Há lavadores de batatas, cujas mãos mergulham na água turva, engelhando-se impiedosa e ferrenhamente, para deixarem lisas as batatas que lhes dão arrimo, geladeira, TV, carro e moto, conta no banco e casa nova. Ser itabaianense é ser amigo da terra, cultor de bons frutos; é sinônimo de provimento. Viva a Feira!

Quem circula a cidade, encontra, também, incontáveis pontos de moto táxis, um jeito apressado de se bandear para todos os lados, num caminho de formigas, que vão e vêm sempre carregadas de pesada carga. Caminhões roncam, fazendo ecoar pelos ares a brutalidade de sua potência, e, ao buzinarem intensos silvos, cumprimentam colegas e amigos, despedindo-se de familiares, para enfrentarem a famosa “Rio-Bahia”, expressão que, neste chão, designa toda a atividade rodoviária de cargas, na vastidão enorme do Brasil. Encontra carroças de burro com caixotes enormes que atingem três, quatro metros. Vão à feira e dela trazem o que compraram o que restou ou levam o que se vai expor. Em dias comuns, cascalhos, madeira, cimento, areia, mudanças, compras de supermercado, lavagem de porcos, leite da roça ou capim. Tudo ali cabe, porque elas contêm a força e a esperança de quem sabe o quanto é brava a luta. Ser itabaianense é se virar com o que se tem, mas nunca se conformar... é querer ir bem além, para ver o que a serra encobre... Vivam os Caminhoões!

Vê, em cada esquina uma banca do bicho, animais perniciosos que dão tostões a uns escolhidos, desprezando o sonho de outros que insistentemente repetem o seu número preferido, o da “praca da mota ou da meceda, o telefone da muié, o numo da casa ou o dia em que nasceu”. Tudo pode ser poderoso aliado na aventura de arriscar dez reais por semana. Há pessoas que ficaram notórias pelo bicho que têm ou pelo bicho que deu. Sorte é sorte e está lançada”! Veem-se lindas roupas ajustadas aos belos corpos que, nas horas do almoço, da janta, ou ainda ao amanhecer, desfilam elegantemente até a academia preferida, dentre uma centena, para se aprimorar, mantendo-se em forma. As avenidas e praças se enfeitam de pessoas que se põem a fazer caminhada, em obediência ao preceito médico ou pelo prazer de se manter em forma, reservando o espaço da geladinha do fim de semana. Ser itabaianense é arriscar-se, expor-se, aprimorar-se para a boa arte de viver bem. Vivam as belas formas!

Se vier aos fins de semana, verá uma procissão de fieis rumo aos seus variados cultos, com o sentimento de fé incontida. Encontrará uma plêiade de jovens a expor suas motos, convidando as meninas para um enlevado passeio no Shopping, para um romântico cineminha, um almoço regado a galanteios; verá bares lotados, churrascarias com certa fila à porta, campos de várzeas lotados de atletas e torcedores apostadores. Tudo pode ensejar vantagens... o Velho Palco do Tricolor, recentemente campeão, embala as tarde de domingo, para um clássico que retira assovios, xingamentos, além dos embalos da charanga. “O Tricolor voltou” cantou em ligeiro desvario a torcida, na última semana. Foi uma loucura o tremular de bandeira, flâmulas, estandartes e camisas que tomaram todos os espaços. O grito de é campeão engasgou-se por delongados 12 anos... Mas, naquela tarde de sábado, a feira parou, os caminhões emudeceram, os bares se agitaram, o bicho se recolheu, o burro foi desencangado, a enxada ficou à sombra, a moto táxis permaneceu inerte, o comércio acanhou-se... não foi uma hecatombe, mas foi um espocar que, pouco a pouco, espocavam-se fogos de todos as cores, riscando o céu do entardecer com a azul, o vermelho e o branco, cores históricas que, no último sábado sepultaram o sonho do adversário, para ressuscitarem o grito de vitória. “descendo a serra, jogando a bola, com alma e paixão. Três cores na faixa, alegria do povo é o seu Campeão”. A serra, impávida, emoldurou mais um título, e as nuvens cederam ao azul do céu, para que pudesse se unir ao vermelho do sangue ceboleiro e ao branco da paz tão necessária. No último fim de semana, ser itabaianense é ser Campeão Tricolor! Que o Campeão Suba! Itabaiana é grande e sonha grande. Parabéns!

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