DIA DO ESCRITOR

José de Almeida Bispo, 25 de Julho, 2023 - Atualizado em 25 de Julho, 2023

O ser humano que aprendeu a eternizar e a difundir pensamentos, por imprimi-los numa superfície de barro ou pedra, tem hoje uma representação muito difusa de escritor.
Mas o que é um escritor?
A cultura geral força sua colocação como um artista, além da arte de escrever, que, em si só já é algo divino, também imprime fantasias.
Romper as barreiras do tempo e espaço para fazer chegar pensamentos em vários locais e, não fica só nisso, porque só assim hoje lemos o que pensaram pessoas comuns, como D. Lamassi, a justamente revoltada esposa com seu folgado marido, Pushu-ken, na cidade de Kanesh, hoje inexistente e na atual Turquia, há quase dois mil quilômetros de casa, na Assíria.
Em carta de quatro mil anos atrás ela, em resposta à outra, reclama do marido que a acusa extravagância, de gastar muito; ao que D. Lamassi, provavelmente colérica, o põe no seu devido lugar; e ainda lhe atira nas fuças: “Cadê o dinheiro dos meus tecidos que teci e você não me mandou?”
Como as matronas itabaianenses de 1800, 3800 anos antes D. Lamassi também fazia tecidos que seu marido ia vender no grande mercado de Kanesh.
D. Lamassi – e seu enrolado marido, Pushu-ken – jazem pela eternidade numa tabuleta de barro, que, queimado, virou pedra.

Numa tabueta de barro semelhante a essa, os dramas comuns, na vida do casal Lamassi e Pushu-ken eternizados pela arte de um escriba. Um escritor. Há 4 mil anos.

A escrita começou pela contabilidade. Para anotar quantos bois se vendia ou comprava no Egito se grafou o primeiro Aluf, ou boi, em egípcio antigo. Hoje, depois de muita história, a nossa letra A. Do mesmo modo, na terra de D. Lamassi, para se gravar uma medida de cevada, usou-se o desenho de uma espiga de cevada. Daí para frente nunca mais parou.
Logo, escritor e contador, a princípio foram a mesma coisa.
Hoje, contudo, o escritor é identificado mais com um romancista; aquele que, além de escrever, o que escreve é produto das histórias que a sua mente inventa; em geral, lastreado no dia a dia da própria cultura.
Eu já fui escritor de cartas; um pouco diferente do personagem da Fernanda Montenegro, no filme Central do Brasil; mas, entre os 11 e 14 anos já passei até uma tarde inteira grafando missivas para parentes e amigos analfabetos enviarem seus pensamentos pelos Correios a amigos e parentes, geralmente em São Paulo. Através de uma carta.
Logo, me sinto honrado pelo dia de hoje.
Parabéns para todos os escritores. Inclusive os de cartas, como eu fui.

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