O ANIVERSÁRIO DE UM (QUASE) SANTO ITABAIANENSE

Será o primeiro santo sergipano e itabaianense.

José de Almeida Bispo, 14 de Agosto, 2023 - Atualizado em 14 de Agosto, 2023

E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo” (Mq 5,1; e Mt 2,5).

Nem sempre o mais vistoso lugar produz as maiores cabeças.
Terça feira próxima, 15 de agosto, faz 116 anos que, numa casinha do Beco da Pedreira nasceu José Gumercindo dos Santos.
O Beco do Pedreira, também breve morada de Antônio Conselheiro em sua passagem por Itabaiana, em 1874, tem hoje o nome de Rua Marechal Deodoro; e sempre foi uma via das mais humildes desde a pequena cidade.
Seu leito é dos mais antigos, pois é parte do trajeto da grande Estrada Real Salvador-Olinda, ou das Boiadas, ou ainda Caminho do Sertão do Meio, na linguagem dos jesuítas do século XVII.
A estrada foi resumida para apenas uma estrada local, por volta de 1750; e, quando o futuro Padre, ali nasceu, em 1907, já era, há mais de um século, tão somente uma estrada para o então bicentenário Tanque da Pedreira, desaparecido na década de 1960, nas imediações da Praça João Pereira, e fazia parte do Canto Escuro.
A Rua do Canto Escuro, ganhou esse apelido quando o mesmo Padre Gumercindo tinha por volta de dois anos de idade, e o foi pelo motivo do Intendente (prefeito) João Rodrigues ter dotado a frente da Matriz, na atual Praça Fausto Cardoso, a Rua do Sol e a Rua das Flores. de lampiões que eram acesos ao anoitecer. Iluminação pública, como se fazia em todo o mundo até a advento da eletricidade. De fato, a Rua das Flores se dividia em duas: a dos ricos, que foi iluminada; e a dos pobres – a parte hoje entre a General Valadão e o CTP, fazendo esquina com o Beco da Pedreira – que, no escuro, ganhou o apelido de Rua do Canto Escuro.
São José Gumercindo (a Deus querer) foi, a exemplo da historiadora Maria Thétis Nunes, um órfão da borracha. Seu pai, José Januário dos Santos, na velha carência de oportunidades da Itabaiana de até pouco tempo atrás, foi mais um que embarcou no vapor de Hermelindo Contreiras, itabaianense lendário das selvas amazônicas e seus caudalosos rios, e desapareceu, nunca mais retornando às serras. O menino Gumercindo foi criado só com a mãe, D. Maria Rita de Jesus. Único sobrevivente dos três filhos, o garoto José estudou e se formou e firmou no sacerdócio; e tantas fez que seu maravilhoso trabalho vem sendo apontado por aqueles que o bem conheceram um verdadeiro santo. Está na antessala para receber oficialmente de Roma o reconhecimento por sua vida santa.
Será o primeiro santo sergipano e itabaianense.
Confesso a minha ignorância: até a formatação final do patronato da Academia Itabaianense de Letras eu lhe desconhecia completamente; mesmo já tanto tendo avançado no conhecimento da História itabaianense. Foi, portanto, uma grande e prazerosa surpresa, a sua nomeação como patrono da Cadeira 22, da referida Academia. Cadeira que ora, infelizmente se encontra vazia, já que seu ocupante, o saudoso Luiz Eduardo Magalhães, partiu para a eternidade em 10 de outubro de 2021. Porém, mais ainda fiquei surpreso quando alguém da Paróquia de Nossa Senhora das Graças (Bairro Mamede Paes Mendonça) me falou do adiantado processo de beatificação dele e o que lastreia tal decisão, logo depois a mim confirmada pelo pároco, Padre Hélio Oliveira Alves.
O Padre Hélio é filiado à Ordem dos Joseleitos, fundada pelo Padre José Gumercindo, quando ainda pároco de Boquim.
Pois é, dia 15 de agosto é aniversário do Padre José Gumercindo dos Santos; porém, quem um mês depois receberá o presente serei eu: fui convidado para dizer algumas palavras sobre a História de Itabaiana, naturalmente num contexto da sua existência – o meio e a formação religiosa serrana – exatamente no dia 15, só que setembro; um mês depois de amanhã do seu aniversário de 116 anos.
Agradecimentos aos paroquianos de Nossa Senhora das Graças, da Congregação dos Joseleitos, que realizará sua Assembleia Anual no CTP, bem juntinho onde nasceu o nosso Santo, nos dias 15, 16 e 17 de setembro. Também agradecimentos ao amigo e confrade Manoel Messias Peixoto, que de fato foi quem me indicou ao grupo.
E, dia 15 de setembro eu estarei lá, prontamente às 19h30min.

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